sábado, 13 de junho de 2020

Como montar uma equipe para construir ou reformar


Equipe de pedreiros concreta uma laje.
Equipe de pedreiros concreta uma laje.


Transcrição editada de vídeo gravado no dia 12 de junho de 2020:

Olá meus amigos, aqui é o Jean Tosetto, arquiteto e escritor, para conversar com vocês, mais uma vez, sobre um assunto relevante a respeito do mercado imobiliário e dos investimentos na construção civil.

Tenho recebido muitos comentários de jovens querendo conhecer um pouco mais sobre essa área. Isso é muito bom, porque a construção civil gera muitos postos de trabalho e movimenta a economia, e todo o nosso incentivo nesse sentido deve ser empregado. 

Para você que quer comprar um terreno para construir uma casa, seja para morar, seja para vender, ou você vai comprar uma casa para reformar e vender: a primeira coisa que você tem que ter é o capital para empregar nesse investimento, lógico.

Mas, depois desse capital, você tem que montar uma equipe: tem que ter um empreiteiro de confiança, esse empreiteiro vai ter um pedreiro assistente ou quem sabe o próprio empreiteiro será o pedreiro ou mestre-de-obras. Você tem que ter um encanador muito bom, um eletricista nota dez. Você tem que ter, de repente, um carpinteiro, um marceneiro de confiança. Você tem que montar uma equipe muito boa porque sabe que, sozinho, não consegue ir longe.

E qual é o critério para você montar uma equipe? São três aspectos fundamentais:

O caráter


O primeiro aspecto – o mais importante de todos – é o caráter da pessoa. A primeira coisa que você tem que analisar, para você contratar alguém para trabalhar para você em obra, é o caráter, a honestidade e a credibilidade. A pessoa tem que ser honesta.

Só pessoas honestas conseguem trabalhar em parceria no longo prazo.

Quando uma pessoa prejudica a outra, cedo ou tarde ela vai ser descoberta e a relação não vai dar certo.

A competência


O segundo critério, porque não basta a pessoa ser honesta: ela tem que ser competente e saber fazer o serviço dela. Tem que assentar um tijolo, rebocar a parede, enroscar um cano numa conexão, saber puxar um fio e, quem sabe, dimensionar de repente um bom quadro - além da equipe de projetistas você vai contratar também.

Você tem que ter pessoas capacitadas. Só na camaradagem você vai se aborrecer muito, se a pessoa não tiver competência para executar os serviços.

O preço justo


Passou pelo segundo filtro? Aí que você vai para a questão de preço. Quanto que você vai pagar para essas pessoas? Como é que vai ser a remuneração? Quanto que elas vão cobrar?

Tem muita gente que faz economia burra com mão de obra - e é aonde sai mais desperdício. Se você observar uma construção convencional e dividi-la em três partes, dois terços do custo vai ser relacionado com materiais e um terço custo, aproximadamente, vai ser com mão de obra. Aí se você quer fazer muita economia com mão de obra, acaba gerando desperdícios no outros dois terços.

Então, é mais fácil você fazer economia na hora de comprar material, que em duas ou três lojas diferentes, que vendem o mesmo produto, você pode comprar mais barato. Mas a mão de obra, ela não pode ser necessariamente a mais barata. Ela pode ser até um pouco mais cara, mas vai te gerar muita economia na sua obra. Isso longo dos anos faz muita diferença. 

Esse é o recado que eu queria dar para você, hoje. Espero ter colaborado com o seu dia. Um grande abraço e até a próxima.

sábado, 9 de maio de 2020

Little Richard - Big Rocker

Capa de coletânea de Little Richard lançada no Brasil pela Som Livre no começo da década de 1990.
Capa de coletânea de Little Richard lançada no Brasil pela Som Livre no começo da década de 1990.

Quando era adolescente, tinha que tirar pó dos móveis e passar pano de lã no assoalho, algumas vezes por semana. Todos em casa tinham tarefas para cumprir.

Fazia a minha parte escutando este disco de vinil do Little Richard - um sujeito que inspirou "apenas" Elvis Presley, os Beatles e os Rolling Stones. O rodo virava microfone e as músicas cadenciavam o ritmo da limpeza.

O mundo precisa de gente louca como ele, para que tipos pacatos, como nós, possam suportar a rotina entediante que somos induzidos a seguir.

Little Richard nos deixou aos 87 anos. Ele já tinha deixado o rock, que inventou, para ser pastor de uma igreja protestante, voltando para a música de tempos em tempos.

Ele sabia que poucas coisas nos podiam salvar de uma vida medíocre: a fé e o rock. Acho que ele tinha razão.


Veja também:


Vivalendo.com recomenda:

segunda-feira, 20 de abril de 2020

O desencontro de Águas de Lindóia

Alfa Romeo bonito é pleonasmo.
Alfa Romeo bonito é pleonasmo.

Véspera de feriado de Tiradentes. Em condições normais, estaria planejando passar o dia em Águas de Lindóia, para ser mais um na multidão do Encontro Brasileiro de Autos Antigos.

Acordaria quase de madrugada. Passaria na casa do meu amigo Dani. Ia dirigir pela Campinas-Mogi ouvindo Creedence e conversando sobre as baladas do passado e da juventude, que não volta mais.

Antes de chegar ao destino, faríamos uma parada em Monte Alegre do Sul, para tomar um "fecha corpo" na Adega do Italiano. Está certo que só servem isso na Sexta-Feira Santa, mas a gente ia pedir uma exceção.

Em Lindóia (pois ninguém fala "Águas de Lindóia") deixaríamos a máquina no pátio da paróquia. Se é para pagar caro pelo estacionamento, pelo menos que seja um dinheiro doado para uma boa causa.

Logo estaríamos no meio de um formigueiro, vendo autos antigos e carros velhos. Peças raras e muitas tranqueiras. Ia tirar uma foto atrás da outra, dando enfoque em duas marcas: MP Lafer e Alfa Romeo. Ia babar na Giulietta conversível de 1958, sonhando com o dia de guiar uma nas estâncias de Noventa Vicentina.

Ia reclamar da fila do churrasquinho e do banheiro sujo, do governador, do presidente, do Congresso e do STF. Mas ia me acalmar na varanda do Hotel Monte Real, tomando um cappuccino perto da piscina, prometendo que voltaria ali com a família, na baixa temporada.

A fome ia bater e a gente, que já viu todos os modelos possíveis antes (aquele evento era só uma desculpa para espairecer um pouco) ia se debandar mais cedo para Amparo, se embrenhando na estradinha para a Fazenda Benedetti. O sanduíche de salame com ricota, rúcula, mel e pão cascudo deles vale por um almoço de pedreiro.

Por falar em pedreiro, a gente ia parar em Pedreira também, no Café da Santa, para conversar com o Fernando sobre o Palestra. Ia tentar convencer ele a investir em fundos imobiliários, também. Amigo que se preza tem que dar bons conselhos. Então pediria para embrulhar uns canelones para não chegar em casa de mãos abanando.

Na volta, ia desviar o caminho por Holambra e Artur Nogueira, para não pagar o pedágio na praça de Jaguariúna - sempre lotada nos fins de feriadões.

Ao chegar na garagem, minha esposa estaria esperando. Ela prontamente faria a leitura retroativa das imagens retidas nas minhas retinas, para saber se eu olhei para algum rabo de saia. Eu logo responderia que ela é a única dona que me interessa no mundo.

Essas declarações não serão mais precisas. O Covid-19 nos roubou quase tudo: as expectativas e as memórias de coisas não vividas. Mas a vontade de sair de casa continua.

Veja também:


Vivalendo.com recomenda:

segunda-feira, 13 de abril de 2020

NUN MOROIO

Estátua em homenagem à Enrico Toti, na Porta Pia de Roma, Itália.
Estátua em homenagem à Enrico Toti, na Porta Pia de Roma, Itália.

Entre janeiro e fevereiro de 1998 estava ingressando no último ano da faculdade de Arquitetura, quando fiz uma viagem de estudos para a Itália. Por muito tempo pensei que aqueles dias em solo europeu teriam sido o anticlímax da minha vida, até que tratei de enfrentar outros desafios típicos de um eterno aprendiz.

Das poucas fotografias que fiz naquela ocasião (apenas dezenas de instantâneos captados com um filme Kodak encalacrado numa Olympus OM-10, pois hoje teriam sido milhares de imagens digitais clicadas pelo smartphone), esta segue uma das minhas favoritas. Já comentei sobre ela no meu site de Arquitetura:

"Pouquíssimos reconheceriam esta escultura perdida entre milhares de atrações que a Cidade Eterna oferece. Esta homenagem feita a um soldado italiano durante a Primeira Grande Guerra Mundial, está situada no pátio da Porta Pia, projetada pelo gênio renascentista Michelangelo.
A ação da umidade na parede de fundo, que remete a uma rajada de balas, tira a fotografia do anonimato perante os olhares mais desapercebidos, para lançá-la no universo pop típico das histórias em quadrinhos."

Pois a imagem de Enrico Toti me veio em mente com certa insistência. Em tempos de quarentena e de pandemia, estamos todos com aquela sensação de que as coisas ficaram difíceis, quase insuportáveis. Ficaram mesmo? Será que ganharemos uma estátua perdida nas entranhas de uma metrópole, um dia?

Para tanto, teríamos que fazer algo a altura de um combatente que seguiu adiante, mesmo com a perna esquerda amputada. Sua muleta converteu-se em arma de defesa. A placa em saudação à memória de Toti afirma que ele persistiu com um "estoicismo digno de uma alma altamente italiana".

A resposta para enfrentar dias difíceis não está numa farda ou num coturno solitário, como a estátua de Enrico externamente retrata, mas na sua atitude estoica, cujo princípio basilar está declarado numa frase de Epicteto, filósofo grego que viveu como escravo em Roma, no primeiro século depois de Jesus Cristo:

"Não são as coisas que acontecem conosco que nos fazem sofrer, mas o que nós dizemos a nós mesmos sobre essas coisas."


Veja também:


Vivalendo.com recomenda:

quinta-feira, 9 de abril de 2020

A Super Lua da Quarentena

A Lua registrada em 08 de abril de 2020 pelas lentes deste escriba.
A lua registrada em 08 de abril de 2020 pelas lentes deste escriba.

Há pouco mais de um século a humanidade não contava com a Internet, a TV e o rádio (quem lembra da vitrola?) para se entreter durante as noites. Os livros eram coisa rara, pois grande parte das pessoas era analfabeta ou não gostava deles - o que mudou, desde então?

Por outro lado, não havia poluição atmosférica. Pouquíssimas cidades contavam com iluminação artificial para turvar a vista dos amantes da lua e das estrelas. Na falta do que fazer, muitas pessoas olhavam para o céu e viajavam sem carruagens.

Os povos antigos tinham suas constelações favoritas. O que temos hoje? Candidatos favoritos para vencer o Big Brother Brasil.

Voltando ainda mais no tempo, os romanos observavam estrelas errantes, que pareciam caminhar no firmamento. Só podiam ser deuses, concluíram. E deram nomes para eles: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno... e assim os planetas foram batizados.

Planetas são corpos celestes gigantescos, e mesmo assim só podem ser vistos com auxílio de telescópios, na maior parte do tempo. Mas foi preciso que um vírus minúsculo (visível apenas por microscópios) disparasse uma pandemia, para que os humanoides pudessem prestar atenção novamente neles.

A quarentena, que provocou o distanciamento social, provocou também uma reaproximação dos terráqueos com o espaço sideral.

Muitos carros e caminhões pararam de transitar. Fábricas fecharam as portas e cortaram a emissão de fumaça tóxica por suas chaminés. O céu noturno ficou mais limpo e muita gente enjoou das telas que emitem luz azul, lives e notícias repetitivas. Logo, voltaram a entortar o pescoço para admirar a abóbada celeste.

Milhares de estrelas anônimas se renderam ao brilho da Super Lua, que ocorreu na passagem entre 08 e 09 de abril de 2020. Lá estava o maior refletor de luz solar para a nossa Terra, mostrando suas cicatrizes que lembram uma amostra de colônia de bactérias analisada num laboratório.

Do macroscópio para o microscópio. Não importa: nós somos frágeis e insignificantes. Por isso inventamos tanta coisa para nos entreter, nos distrair e nos fazer esquecer do nosso real tamanho perante o Universo.

Veja também:


Vivalendo.com recomenda:



sexta-feira, 27 de março de 2020

Coronaldo em estado crônico

Quem está olhando para o espelho?
Quem está olhando para o espelho?

Coronaldo é dono de uma loja que vende produtos importados. Quase todos "Made in China". Apegado com sua família, ele raspou o dinheiro do caixa e foi conhecer Veneza, no norte da Itália. Passou uns dias também em Milão, pois sua esposa adora saber o que está na moda. Eles voltaram a tempo de pular o Carnaval no Brasil, no meio da multidão. Eles gostam de se definir como "gente do povo". Quando o ano finalmente começou, depois do meio dia da quarta-feira de cinzas, as notícias em todas as mídias tinham um assunto só: a tal da Pandemia do Coronavírus. Quando a TV mostrou caixões enfileirados numa igreja de Bérgamo, também na Itália, alguns governadores se anteciparam no Brasil, decretando quarentenas estaduais. Coronaldo fechou sua loja e correu para o supermercado. Lotou o carrinho de comida e produtos de limpeza. Os primeiros dias de confinamento autoimposto dentro de casa fluíram bem. Coronaldo até montou sua antiga pista de autorama para brincar com seu filho adolescente. Ao dedilhar a tela do smartphone veio a notícia ruim: o distanciamento social poderia durar bem mais do que uma quinzena. Talvez uns quatro meses. O intestino de Coronaldo ficou preso: bolachas demais e fibras de menos. Ele perdeu o sono. Seu banheiro começou a feder, então ele se lembrou da faxineira pela primeira vez. Lamentou por não saber cozinhar e não cobraria isso de sua esposa, que só sabe preparar Miojo. Seu cabelo, a propósito, começou a ficar estranho, com raízes brancas a desbotar o antes vigoroso louro com luzes. A grama no jardim ficou alta. Cadê o jardineiro? Também foi dispensado. Acabou a paciência para fazer a lição de casa com o caçula. As contas começaram a chegar: os aluguéis da loja e da casa, as mensalidades da escola, os salários vencidos dos funcionários. Coronaldo percebe que sua loja ficou sem capital de giro e decide mandar embora metade da equipe, mas não tem dinheiro para pagar as indenizações. Então, o presidente fala antes da vinheta do Jornal Nacional. Coronaldo entende que as pessoas precisam retornar ao trabalho, afinal de contas, isso é apenas uma "gripezinha" com um nome diferente. Patrioticamente, ele resolve voltar a ganhar dinheiro para ajudar na economia do país, além de ter prometido para a filha que ela passaria seu aniversário de 15 anos na Disney. Estima-se que 5 a 7 mil pessoas vão morrer de Covid-19 no Brasil - quase todos da terceira idade. E daí? Quantos brasileiros morrem de bala perdida por ano? Coronaldo escreve no grupo de WhatsApp da loja para seus empregados. Comunica que reabrirá as portas. Porém, o telefone toca: avisam que seu pai, com 73 anos, está entubado no hospital. O pai de Coronaldo será a vítima 624 do Coronavírus no Brasil. Seu corpo será cremado numa cerimônia sem a presença do padre, pois o prefeito proibiu aglomerações. Coronaldo não sabe mais o que fazer.

Veja também:


Vivalendo.com recomenda:

sábado, 14 de março de 2020

Nada de novo no formigueiro

“The Ant and the Grasshopper" (1919), ilustração de Milo Winter (1886-1956) pertencente ao acervo do Projeto Gutenberg.
“The Ant and the Grasshopper" (1919), ilustração de Milo Winter (1886-1956) pertencente ao acervo do Projeto Gutenberg.

A linha reta não existe no universo físico, apenas na teoria. A linha reta é um conceito abstrato. Quando ocorre um Circuit Breaker, fica evidente que a renda variável “varia” e que um patrimônio construído sobre estas bases não sobe em linha reta, mas sobe.

Estamos em março de 2020. A Bolsa de São Paulo conta com centenas de milhares de investidores novatos, que estão experimentando os reflexos do primeiro Circuit Breaker de suas jornadas no mercado de capitais. No dia 9, o Ibovespa caiu cerca de 12%: a maior queda em um único dia de todo o século 21. Não é pouca coisa.

O mercado vinha em alta prolongada, mas começou a inverter sua curva com as primeiras notícias do Coronavírus, em sua versão Covid-19, surgida na China. Logo a doença se espalhou por todos os continentes, forçando países a adotarem quarentenas, reduzindo deslocamentos de pessoas e mercadorias.

Quando o componente do petróleo entrou na equação, devido à queda na demanda, Arábia Saudita e Rússia não se entenderam sobre o protocolo a ser seguido para evitar a volatilidade no preço do barril. As Bolsas ao redor do mundo reagiram mal. A Bolsa de São Paulo sofreu mais, assim como o Real, moeda que mais se desvalorizou frente ao Dólar.

Contextos diversos


O último Circuit Breaker que a Bolsa do Brasil havia sofrido foi em 17 de maio de 2017, data que ficou conhecida como “Joesley Day”, devido ao vazamento de conversas pouco republicanas entre o empresário Joesley Batista e o Presidente Michel Temer, que sepultou, na ocasião, o andamento da Reforma da Previdência.

O Circuit Breaker é um dispositivo que as Bolsas usam para interromper pregões eletrônicos sujeitos a volatilidades exageradas, sendo acionado geralmente para conter quedas abruptas.

Se o Circuit Breaker de 2017 teve repercussão limitada ao mercado brasileiro, em função de uma notícia política local que logo foi absorvida – as ações se recuperaram logo; o primeiro Circuit Breaker de 2020 está relacionado a uma conjuntura internacional e provavelmente terá consequências mais duradouras, como pudemos verificar com as demais interrupções das negociações na B3 ao longo da semana decorrente.

O que fazer?


Tenho recebido perguntas a respeito deste momento de turbulência na B3. Em geral, meus contatos querem saber o que fazer. Que ações comprar? O que mudou?

Não mudou nada. Não para quem é adepto do Value Investing e do Buy and Hold: investimento em valor focado no longo prazo. Quem adota estas premissas para comprar renda passiva tem mais é que comemorar.

Investidores que aportam em ativos geradores de renda passiva torcem para que as ações de boas empresas e das cotas de bons fundos imobiliários estejam com preços descontados, para que o Dividend Yield seja mais alto. Sempre é bom lembrar: o Dividend Yield é a relação entre o preço pago por uma ação (ou cota) e o seu retorno nos últimos doze meses, em forma de dividendos.

O exemplo da formiga


Quem investe pensando nos dividendos age como uma formiga: passa o verão coletando alimentos no entorno, para poder consumi-los no conforto do formigueiro, quando o inverno chegar. Por isso, as estratégias relacionadas aos dividendos geram carteiras previdenciárias de investimentos.

Você já observou o funcionamento de um formigueiro durante o verão? Em algumas horas do dia é possível ver filas de formigas, vindas de diversas direções, carregando pedaços de folhas verdes, grãos de arroz, asas de insetos e todo tipo de alimento que elas apreciam.

Vamos além: você já cometeu a maldade de cutucar a borda de acesso de um formigueiro com um graveto, esparramando um pouco da terra disposta em forma de vulcão? Que criança curiosa nunca fez isso?

Neste instante, as formigas entram em alvoroço. Elas parecem ficar desorientadas. Enquanto umas tentam atacar o inimigo (experimente colocar seu dedo indicador no meio da bagunça), outras correm para dentro do formigueiro. Porém, nenhuma formiga se afasta até um canto para se lamuriar.

Em questão de minutos lá estão as formigas retomando sua rotina. Enquanto algumas recompõem a borda de acesso do formigueiro, outras saem para a coleta de alimentos e outras chegam com restos de comida nas costas. Elas não sabem fazer outra coisa. Por não ter espaço para sentir emoções em seus diminutos cérebros, elas seguem apenas seus instintos. As formigas fazem apenas o que foram programadas para fazer.

Menos emoções, mais rendimentos


Nós, investidores de longo prazo, que compramos dividendos para ter um inverno mais confortável, temos que ter humildade para aprender com as formigas. Se a gente colocar as emoções na receita para lidar com a renda variável, não seremos bem-sucedidos.

Como afirmei no livro “Cultivando Rendimentos”, disponível na Amazon (https://amzn.to/2W4eVxN), "dominar as emoções para reagir com sabedoria aos momentos imprevistos e instáveis do mercado financeiro: eis o que ninguém pode ensinar, mas que todo investidor deve aprender."

Então, qual é a nossa programação? Vamos repetir: selecionar boas empresas e bons fundos imobiliários que paguem bons rendimentos com regularidade e comprar estes ativos com desconto, sempre que possível, para reforçar nossas carteiras previdenciárias. Deixemos as emoções para outros aspectos da vida.

Promoção não é liquidação


Um Circuit Breaker causa uma grande promoção na Bolsa de Valores, mas nunca uma liquidação. Os bons ativos não vão quebrar: vão apenas ficar mais baratos. Oba!

Uma empresa ruim não vai ficar boa por causa desse alvoroço. Não adianta perguntar o que muda depois de um evento agudo de crise. Não é hora de comprar ações de uma empresa ruim por que ela ficou mais barata, mas é hora de comprar ações de empresas boas, pelo mesmo motivo. Lógica semelhante se aplica aos fundos imobiliários.

As carteiras da Suno estão repletas de ótimos ativos para compor sua carteira previdenciária, com resiliência para enfrentar as piores tormentas. Já fez a sua assinatura?



Veja também:



Vivalendo.com recomenda: