sexta-feira, 24 de maio de 2024

Suno e Ateliê da Escrita lançam os primeiros livros em Braille sobre investimentos no Brasil

Assistentes da B3 apresentam os primeiros livros em Braille da Suno, com Roberto Maluhy Jr, Professor Baroni, Maria Helena Chenque, Jean Tosetto e Tiago Reis ao centro.
Assistentes da B3 apresentam os primeiros livros em Braille da Suno, com Roberto Maluhy Jr, Professor Baroni, Maria Helena Chenque, Jean Tosetto e Tiago Reis ao centro.

O dia 21 de maio de 2024 ficará marcado na história da Suno e do Ateliê da Escrita, via selo AlfaBraille, pelo lançamento simultâneo e inédito, no Brasil, de dois livros sobre investimentos em Braille, acessíveis para não videntes.

O evento ocorreu durante o FIIExperience na sede da B3, a Bolsa de São Paulo, emocionando uma plateia de investidores, quando a Maria Helena Chenque, a revisora das versões em Braille de "101 Perguntas e Respostas para Investidores Iniciantes", de Tiago Reis e Felipe Tadewald, e "101 Perguntas e Respostas sobre Fundos Imobiliários, do Professor Baroni e Jean Tosetto (quem?), tomou a palavra, afirmando que passaria a estudar sobre FIIs para investir.

Mas essa história começou no ano passado, quando o Filipe Peres, consultor da Suno, ouviu que o Roberto Maluhy Jr, do Ateliê da Escrita, estava a frente do maior parque gráfico privado e especializado em livros Braille do mundo. Ele fez a ponte comigo, pois sou o responsável pelos livros da Suno.

Então, marcamos uma reunião aqui em Paulínia, na sede da Editora Vivalendo. Pensei em causar uma boa impressão (perdoem o trocadilho), os levando para almoçar no hotel mais chique da cidade. No meio do caminho perguntei se eles queriam conhecer a roça de verdade. Então saboreamos um filé de Tilápia a Parmegiana, num pesqueiro de conhecidos meus.

Roberto Maluhy Jr, Filipe Peres e Jean Tosetto na sede da Editora Vivalendo em Paulínia/SP.
Roberto Maluhy Jr, Filipe Peres e Jean Tosetto na sede da Editora Vivalendo em Paulínia/SP.

Quando gente apaixonada por livros senta numa mesa para conversar, a tarde avança feito ambulância cruzando o sinal vermelho.

Fiquei tocado pelos dados que o Roberto me passou, sobre a média de menos de um livro lido por ano por brasileiros alfabetizados. Já quem lê em Braille, devora mais de 20 livros no mesmo período.

A Suno não poderia ficar de fora dessa iniciativa. Com o aval do Fabio Humberg da Editora CL-A, demos início às versões em Braille dos primeiros livros do nosso acervo. O trabalho não para por aqui. Já estamos desenvolvendo o terceiro título.

Jean Tosetto, Roberto Maluhy Jr e Tiago Reis com os primeiros livros em Braille da Suno. Compare com a versão convencional nas mão direita do Jean.
Jean Tosetto, Roberto Maluhy Jr e Tiago Reis com os primeiros livros em Braille da Suno. Compare com a versão convencional nas mão direita do Jean. São necessários dois ou três volumes grandes na versão em Braille para equivaler a um livro simples de quase 150 páginas em formato A5.

Certa vez fiz um curso como arquiteto na Unicamp sobre acessibilidade universal. Tive que usar vendas nos olhos e tentar me locomover pelo ambiente. Aquilo me tocou. Mas o destino quis que eu pudesse voltar ao tema também com os livros, essa invenção mágica e maravilhosa que aproxima gente tão querida.

Veja também:

101 Perguntas e Respostas para Investidores Iniciantes (Amazon)

101 Perguntas e Respostas sobre Fundos Imobiliários (Amazon)

A Suno também é uma casa publicadora de livros

quinta-feira, 4 de abril de 2024

A casa amarela de Caçapava

"O que falar das pedras filetadas que adornam as empenas nas extremidades desse espaço de transição do exterior para o interior da casa?"

A Tia Marta fez 80 anos e sua festa de aniversário reuniu quase toda a família em Caçapava, distante 180 km de casa. Invertendo os papéis, levei meus pais, ao invés de ir com eles pela estrada afora.

Ainda assim, feito uma criança, não consegui ficar quieto, sentado numa mesa comprida, ouvindo histórias de gente que vi poucas vezes nos últimos anos.

Quando fico muito parado, meus pensamentos começam a acelerar. Aí preciso caminhar para colocar eles de volta na cadência. Assim, fui praticar um dos meus esportes prediletos: bater perna pelas ruas da cidade.

Perto da Matriz, vi essa casa amarela. O povo passa batido na frente dela e não se toca da elegância do projeto, provavelmente da década de 1960, quando ser requintado não significava estar algemado com a ostentação.

É uma casa simples, concordo, mas reparem na laje sobre o alpendre da sala, que se converte em abrigo de passagem para o carro da família. Ela não é plana, mas composta por um vértice bem suavizado, que coleta a água da chuva e a descarrega numa das quatro pilastras de ferro fundido, que ocupam o lugar do que seria um pilar de concreto robusto hoje em dia. Água que vai direto para a guia da calçada. Reparou nisso, também? E o que falar das pedras filetadas que adornam as empenas nas extremidades desse espaço de transição do exterior para o interior da casa?

Fiquei imaginando quantos netos já jogaram bola ali naquele corredor que liga o portão da rua até a edícula dos fundos.

O garotinho marca um gol chutando a bola de plástico com força, fazendo um "borolóing" na porta de enrolar da garagem que protege um Gordini - ou seria um DKW?

Mas ao invés de comemorar, ele leva uma bronca geral do vô, que tentava ler o Estadão no domingo de manhã, antes da macarronada.

A vó só ficava brava quando uma bola roçava no vaso com os hibiscos.

E quando a filha caçula saía para passear no sábado de noite? Os pais só dormiam quando escutavam o ruído do trinco encaixando na fechadura do portão.

Tenho que voltar para a festa. Perguntam por onde andei, pois estavam me esperando para tirar uma foto com todos os sobrinhos. Eles não jogam mais bola e não levam mais broncas - também não fotografam as casas singelas por aí.

Veja também:

Sobre dirigir um carro de madrugada

Cuidado ao se comparar com os outros

"O Aleph", por Jorge Luis Borges (Amazon)

terça-feira, 26 de março de 2024

Sobre dirigir um carro de madrugada

"Naquela ocasião, a lua cheia iluminou a janela traseira do veículo. No momento, passava a marcha quando começou a tocar "The man who sold the world". A chuva fina trazia um frio cortante para dentro da cabine."
"Naquela ocasião, a lua cheia iluminou a janela traseira do veículo. A chuva fina trazia um frio cortante para dentro da cabine."

Depois do quarto dia de uma onda de calor, as paredes da casa esquentam tanto que nem de madrugada elas se resfriam.

Também de madrugada a nossa vigília se converteu em consciência quando ouvimos um carro ainda longe, atritando seus pneus de borracha contra os remendos do asfalto da rua.

Quem está dirigindo nesse horário?

Vou até a cozinha tomar um copo d'água. Nem precisamos acender a luz, pois a companhia trocou as lâmpadas incandescentes dos postes por outras em LED.

Agora, na sala de estar, se não fechar a cortina, não dá para cochilar no sofá, onde os feixes de luz daquele carro que se aproxima nos aflora a lembrança de um tempo onde ouvíamos Nirvana no toca-fitas do velho Fusca azul.

Os amigos da faculdade organizaram uma festa numa chácara em Santa Bárbara D'Oeste, mas me senti deslocado. Nunca fui bom para me enturmar e fui embora mais cedo, mesmo com a insistência dos anfitriões para ficar.

No fundo, eu queria mesmo era dirigir meu carro, sozinho, no meio da noite, pela estrada quase deserta.

Naquela ocasião, a lua cheia iluminou a janela traseira do veículo. No momento, passava a marcha quando começou a tocar "The man who sold the world". A chuva fina trazia um frio cortante para dentro da cabine.

Só conseguia pensar que nunca venceria a minha timidez e dizer para aquela garota que faria tudo por ela. E algo me dizia que, cedo ou tarde, nunca mais a veria novamente.

Chegando na cidade, passei por um bairro residencial. Observava as casas e imaginava que haviam famílias dormindo ali. Quantos caras, como eu, encontraram garotas legais e se casaram com elas? Mas onde estaria a minha futura esposa?

Levaria anos para conhecê-la. Muito depois de fazer teatro amador para combater aquela timidez que eu sabia que deveria combater, até para sobreviver no mercado de trabalho.

Então, voltei para a cama. Passei pela porta do quarto da minha filha. Como ela consegue dormir com esse calor? Como ela é bonita... A espera valeu a pena.

Agora sou aquele pai de família.

Entretanto, antes de fechar os olhos novamente, sabia que parte de mim ainda estava naquele Fusca, correndo atrás de algo que nunca sei o que é. Talvez seja uma fome de viver intensamente.

Veja também:

Cuidado ao se comparar com os outros

O prazer de guiar um Miata

"O Sonho de Cipião" de Cícero (Amazon)

sábado, 2 de março de 2024

Cuidado ao se comparar com os outros

"Tem gente que entra numa corrida de uns contra os outros, colocando a vaidade no tanque de combustível."
"Tem gente que entra numa corrida de uns contra os outros, colocando a vaidade no tanque de combustível."

Você que ser comparar com alguém? Que seja para você ter uma referência positiva para crescer. De resto, esqueça. É mais importante sabermos de onde viemos, onde estamos agora e onde podemos chegar. É essa comparação que importa, pois ela deixa de lado o fator negativo da inveja.

Não se iluda: sempre tem alguém melhor do que você, naquilo que você faz de melhor.

Está com bronca de alguém que é campeão naquilo que você julga que sabe fazer bem? Converta a raiva que você sente por essa pessoa em admiração. 

Torça para ela melhorar, inclusive, pois assim, ela vai te mostrar o caminho para você melhorar também. 

No fim da jornada o que importa é isso: que você saia melhor dela do que quando entrou.

Portanto, não tente se comparar com algum líder em seu campo de atuação, com o mero objetivo de superá-lo.

Aprenda com essa pessoa. Se tiver que despertar um sentimento nela, que seja de reconhecimento, não de amargura. E se for para se comparar com alguém, faça isso com você mesmo: o você de hoje com o você de ontem.

Ninguém sabe de onde você partiu, mas só você sabe onde pode chegar.

Tem gente que entra numa corrida de uns contra os outros, colocando a vaidade no tanque de combustível. Resultado: todos perdem, pois fazer coisas apenas para impressionar os outros gera um gasto de energia desnecessário, que apenas alimenta algo parecido nas outras pessoas e volta para nós de forma cada vez mais radical.

A verdadeira jornada dessa vida implica em ser solidário com o próximo, para que todos cheguem bem na bandeirada final.

Ora aprendemos com os mais velhos. Ora somos referência para os mais jovens.

É um erro acreditar que os mais velhos não possuem nada para nos ensinar, uma vez que eles não foram jovens num mundo tão moderno como o nosso, pois certos ensinamentos são atemporais.

Não precisamos ter medo dos mais jovens. Eles aprendem rapidamente certas coisas ligadas à tecnologia, mas no fundo anseiam por orientações de nossa parte, para não cometerem os mesmos erros que nós cometemos.

Por exemplo? É de bom tom nos livrar da inveja e da vaidade. Basicamente é isso que toma conta de nós quando insistimos em nos comparar com os outros.

Olhar para dentro de nós mesmos não é egoísmo, se o foco estiver no autoconhecimento.

Confira esta mensagem no vídeo a seguir:

Veja também:

O prazer de guiar um Miata

O garçom haitiano

"Cartas de Um Estoico Volume I", por Sêneca (Amazon)

sábado, 24 de fevereiro de 2024

O prazer de guiar um Miata

O Miata literalmente recompensa o motorista que o trata com respeito.
O Miata literalmente recompensa o motorista que o trata com respeito.

Hoje fui pego de calças curtas, literalmente. Estava refestelado no sofá, terminando de ler "As paixões da alma" de Descartes e aprendendo a diferença entre remorso e arrependimento, quando escuto o ronco de um motor diferente cessando de funcionar na calçada. Era o meu amigo Nicoletti, de Itapetininga.

Neste fim de semana o Clube do Miata está completando 20 anos de fundação, num evento em Vinhedo, então ele fez uma barriga para me visitar aqui em Paulínia com seu Miata Mazda MX-5 de 1995. Miata significa "recompensa" em japonês.

Só deu tempo de calçar meu tênis de lona com solado liso, ideal para sentir os pedais de um carro esporte. O convite para dirigir um deles é irrecusável.

Fomos até a divisa do município com Americana e Cosmópolis, onde há uma estradinha com resquícios de uma época idílica, que combina com o estilo do carro.

Dirigimos o Miata praticamente sentado no assoalho, ajudando o centro de gravidade do conjunto a ficar bem perto do chão. Por isso, o veículo responde muito bem aos nossos comandos no volante, fazendo curvas como se estivéssemos deslizando por um trilho imantado.

O motor 1.8 de 4 cilindros não tem cavalos de sobra, apenas os cavalos suficientes para garantir a satisfação de guiar com o vento no rosto e o sol por testemunha. Ele não faz arrancadas brutais, mas não deixa a gente desesperançado numa ladeira. Vamos de boa, sabendo que se pisar no acelerador a resposta será imediata.

Por ter potência moderada, a composição do bloco do motor com o câmbio também é leve e, no fim das contas, é a leveza que nos entrega aquele espírito de esportividade, pois nos incentiva a tirar o que o carro tem de melhor para oferecer, como se estivéssemos montados num cavalo dócil, mas audacioso.

Essa sensação não é mera licença poética, mas algo ambicionado pelos projetistas do modelo. Ao menos foi isso que o Nicoletti me explicou, ao citar o termo "Jinba Ittai", expressão japonesa que descreve a relação simbiótica entre o cavalo e o cavaleiro. É essa harmonia próxima da perfeição que torna o carro tão divertido para guiar. Não por acaso, volante e alavanca de câmbio parecem extensões de nossos membros.

Queria estender o dia, mas isso o carro não faz.

Veja também:

Sobre a cadência para ler e escrever

"As paixões da alma" por René Descartes (Amazon)

domingo, 18 de fevereiro de 2024

O garçom haitiano

"A pizza foi criada na Itália, mas coube aos brasileiros ter a ousadia de propor variações sobre o tema."
"A pizza foi criada na Itália, mas coube aos brasileiros ter a ousadia de propor variações sobre o tema."

Na sexta-feira de tarde a esposa apareceu na porta do escritório. Estava tentando concluir um texto e, sem ela precisar dizer uma palavra, adivinhei que jantaríamos na pizzaria, naquela noite.

Fomos recepcionados por um rapaz de porte atlético, mas de poucas palavras.

Deixei minha filha fazer o pedido, pois se dependesse de mim, passaríamos a vida escolhendo sempre a pizza marguerita, feita com queijo, molho de tomate e manjericão, evocando as cores da bandeira da Itália.

Schopenhauer já dizia que, para as pessoas de poucos predicados, restava se orgulhar de suas pátrias. Lembrei disso para refrear minha satisfação por ter nascido com sangue italiano e, por isso, não me opus quando a pizza de frango com catupiry foi a eleita da ocasião.

A pizza foi criada na Itália, mas coube aos brasileiros ter a ousadia de propor variações sobre o tema.

Agradeci quando o garçom trouxe o suco de laranja. Quando ele respondeu "de nada", percebi que seu tom de voz e sotaque lembrava o Rincón, jogador da seleção colombiana de futebol que jogou no Palmeiras e no Corinthians há vários anos.

Ao pagar a conta, perguntei se ele era colombiano. Ele respondeu:

- Não, sou haitiano.

- Então você fala francês?

- Sim.

- E tem saudades do Haiti?

- Não. Não tenho.

- Então já se tornou brasileiro?

- Ainda não, preciso provar que sei falar português e levar uns documentos na Polícia Federal.

- Bom, essa história de ser haitiano ou brasileiro é apenas uma convenção entre os homens. O que importa, de verdade, é que somos todos filhos de Deus.

Ao dizer a última frase, apontei o dedo para o céu. Ele olhou para cima e quando baixou a cabeça abriu um sorriso pela primeira vez.

Geralmente falamos certas coisas da boca para fora, mas ao dizer que "somos todos filhos de Deus", veio um sentimento de que realmente era irmão dele.

Ao me levantar da mesa apertamos as mãos, dei um tapa no ombro dele e disse:

- Valeu, garoto!

Ao voltar para o carro, pensei em como seria recomeçar a vida em outro país. Deve ser mais fácil quando você não se agarra a uma bandeira e trata de entregar o melhor de si mesmo para os outros - vai ver é isso que Deus espera que façamos, enquanto vivemos num mundo de fronteiras artificiais.

Veja também:

Sobre a cadência para ler e escrever

Setas Para Lugar Nenhum

Aforismos para a Sabedoria de Vida, por Schopenhauer (Amazon)

domingo, 11 de fevereiro de 2024

Sobre a cadência para ler e escrever

"Ler é para ser algo prazeroso, antes de ser apenas útil para alguma coisa. É como fazer amor."
"Ler é para ser algo prazeroso, antes de ser apenas útil para alguma coisa. É como fazer amor."

Estava correndo os olhos pela minha estante de livros e contabilizei 21 obras compradas e ainda não lidas. Quase meio salário mínimo não justificado, à espera de redenção.

Esse fator combinado com minha falta de talento para pular Carnaval me fez reforçar laços de amizade com Aristóteles (Categorias), Sêneca (Sobre o Ócio), Cícero (Dos Deveres) e São Bento (terminei a leitura de suas regras). Livros curtinhos que amenizam o desleixo de acumular papel no escritório.

Nestes dias preguiçosos, leio um pouco, faço um pedal, vejo um filme antigo no YouTube (Eles Vivem, de John Carpenter, foi um deles).

Há alguns dias, me perguntaram o que penso sobre ouvir audiobooks ao invés de ler os livros. Respondi que ouvir é um ato passivo, dado que nascemos com a capacidade de ouvir. Ninguém precisa ir até a escola para aprender isso. Mas é preciso aprender a ler. Ler é um ato que pode ser passivo, mas também pode ser ativo, quando interagimos mentalmente com o autor, pausando ou retardando o andamento da leitura enquanto formulamos nossos pensamentos ou reações sobre o que está escrito.

Que ouvinte de livro consegue fazer isso, especialmente quando opta pela velocidade aumentada?

Pois tem gente que alega falta de tempo para ler, então ouve um livro com velocidade duplicada enquanto faz outra coisa. Isso me soa como desperdício de tempo.

Ler é para ser algo prazeroso, antes de ser apenas útil para alguma coisa. É como fazer amor. Quem começa e termina uma relação em 45 segundos está fazendo alguma coisa errada. Não é melhor que o casal sustente o ato por longos minutos?

Para que a pressa de terminar um livro? Para começar outro? Para contabilizar quantos livros foram lidos num ano? Bobagem.

O mesmo se aplica ao ato de escrever. Certa vez me perguntaram se era possível contratar alguém para escrever um livro em menos de dois meses.

Um livro é como um filho - quem deseja ser pai ou mãe só deveria terceirizar esse intento em último caso. Após a concepção, é preciso esperar nove meses. A natureza foi sábia em não permitir que um bebê humano nasça com apenas dois meses de gestação.

Quantos anos vive uma criança bem formada? E um livro?

Veja também:

Dos Deveres, por Cícero (Amazon)

Setas Para Lugar Nenhum

A casa do Monteiro Lobato em Monteiro Lobato