sábado, 23 de fevereiro de 2019

O Pico do Gavião entre Andradas (MG) e Águas da Prata (SP)

A pedida do domingo era almoçar no restaurante da Casa Geraldo, produtora de vinhos de mesa em Andradas, no sul de Minas Gerais. Depois de comer como um pedreiro, você se sente na Toscana por alguns instantes. Estava quente: mais de 30 graus Celsius, mas a brisa que vinha das nuvens prenunciava pancadas de chuvas.
A pedida do domingo era almoçar no restaurante da Casa Geraldo, produtora de vinhos de mesa em Andradas, no sul de Minas Gerais. Depois de comer como um pedreiro, você se sente na Toscana por alguns instantes. Estava quente: mais de 30 graus Celsius, mas a brisa que vinha das nuvens prenunciava pancadas de chuvas.

A gente fez de conta que não ia chover, pois queríamos conhecer o Pico do Gavião, acessível por uma estrada de terra que parte da ligação entre Andradas e Poços de Caldas. Os primeiros quilômetros são tranquilos entre os eucaliptais.
A gente fez de conta que não ia chover, pois queríamos conhecer o Pico do Gavião, acessível por uma estrada de terra que parte da ligação entre Andradas e Poços de Caldas. Os primeiros quilômetros são tranquilos entre os eucaliptais.

Porém, a estrada logo ficou sinuosa e esburacada, com aclives e declives acentuados. Começou a chuviscar. Isso elevou o nível de água de um córrego que cruza o caminho sem ponte. Ainda bem que nosso carro tinha suspensão mais elevada. Ainda assim a água molhou as borrachas das portas.
Porém, a estrada logo ficou sinuosa e esburacada, com aclives e declives acentuados. Começou a chuviscar. Isso elevou o nível de água de um córrego que cruza o caminho sem ponte. Ainda bem que nosso carro tinha suspensão mais elevada. Ainda assim a água molhou as borrachas das portas.

A chegada no Pico do Gavião compensou os momentos de tensão. O lugar oferece ampla visão das cidades da região lá embaixo, como Mogi Guaçu e São João da Boa Vista, no Estado de São Paulo. A temperatura despencou para 18 graus naquele momento.
A chegada no Pico do Gavião compensou os momentos de tensão. O lugar oferece ampla visão das cidades da região lá embaixo, como Mogi Guaçu e São João da Boa Vista, no Estado de São Paulo. A temperatura despencou para 18 graus naquele momento.

O Pico do Gavião é uma propriedade particular. Há cobrança de ingresso para os carros que vão até lá. Mas o local conta com sanitários, lanchonete e alguns espaços de contemplação da exuberante paisagem, onde a paz e a mansidão acalmam as pessoas.
O Pico do Gavião é uma propriedade particular. Há cobrança de ingresso para os carros que vão até lá. Mas o local conta com sanitários, lanchonete e alguns espaços de contemplação da exuberante paisagem, onde a paz e a mansidão acalmam as pessoas.

Como o clima estava instável naquele dia, poucos esportistas estavam no Pico do Gavião, que tem uma plataforma de salto para Asas Deltas e de onde praticantes de Paraglider e Parapente também alçam voos. Tentei registrar uma decolagem, mas o sujeito se virou para mim, cancelando a partida.
Como o clima estava instável naquele dia, poucos esportistas estavam no Pico do Gavião, que tem uma plataforma de salto para Asas Deltas e de onde praticantes de Paraglider e Parapente também alçam voos. Tentei registrar uma decolagem, mas o sujeito se virou para mim, cancelando a partida.  

Ele viu meus cabelos eriçados e desistiu de voar. A explicação era que o céu estava descarregando eletricidade estática e que isso pode ocasionar choques em pleno voo, fora que os cabelos, quando ficam eriçados repentinamente, indicam a grande possibilidade de um raio cair por perto. Vivendo e aprendendo.
Ele viu meus cabelos eriçados e desistiu de voar. A explicação era que o céu estava descarregando eletricidade estática e que isso pode ocasionar choques em pleno voo, fora que os cabelos, quando ficam eriçados repentinamente, indicam a grande possibilidade de um raio cair por perto. Vivendo e aprendendo. 

Na hora de ir embora, optamos por descer pelo caminho até Águas da Prata, já no Estado de São Paulo, para evitar cruzar o riacho sem ponte novamente. Era um percurso mais longo: 17 quilômetros de terra contra 11 do percurso de ida. Mas o visual da zona rural enchia os olhos. Parecíamos transitar por um grande jardim.
Na hora de ir embora, optamos por descer pelo caminho até Águas da Prata, já no Estado de São Paulo, para evitar cruzar o riacho sem ponte novamente. Era um percurso mais longo: 17 quilômetros de terra contra 11 do percurso de ida. Mas o visual da zona rural enchia os olhos. Parecíamos transitar por um grande jardim.

O tempo abria janelas de sol e lindas paisagens se revelavam. Depois de guiar escorregando no estreito leito carroçavel, entre barrancos e penhascos, avistei esta linda capelinha. Estacionei o carro e deixei a adrenalina baixar. É um prazer encontrar pequenas edificações de arquitetura vernacular escondidas no interior do Brasil.
O tempo abria janelas de sol e lindas paisagens se revelavam. Depois de guiar escorregando no estreito leito carroçavel, entre barrancos e penhascos, avistei esta linda capelinha. Estacionei o carro e deixei a adrenalina baixar. É um prazer encontrar pequenas edificações de arquitetura vernacular escondidas no interior do Brasil.

Hoje você desliza os dedos em alguns comandos de aplicativos na tela de seu smartphone, e entregam tudo na sua casa: de comida japonesa até automóveis. Mas houve um tempo no qual as pessoas tinham que percorrer quilômetros em estradas de terra para se abastecer com itens básicos nos armazéns das roças. Farinha de fubá, banha de porco, grãos de café, panos para remendar velhas calças. Ainda hoje gosto de passear pelo campo, em busca de armazéns escondidos. Não para me abastecer de coisas materiais, mas para me abastecer de inspiração. Ainda não inventaram um aplicativo que te entrega isso na sua porta.
Hoje você desliza os dedos em alguns comandos de aplicativos na tela de seu smartphone, e entregam tudo na sua casa: de comida japonesa até automóveis. Mas houve um tempo no qual as pessoas tinham que percorrer quilômetros em estradas de terra para se abastecer com itens básicos nos armazéns das roças. Farinha de fubá, banha de porco, grãos de café, panos para remendar velhas calças. Ainda hoje gosto de passear pelo campo, em busca de armazéns escondidos. Não para me abastecer de coisas materiais, mas para me abastecer de inspiração. Ainda não inventaram um aplicativo que te entrega isso na sua porta.

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sábado, 26 de janeiro de 2019

Se meu criado-mudo falasse

Preste atenção no que seu criado-mudo tem a dizer.
Preste atenção no que seu criado-mudo tem a dizer.

Uma das primeiras memórias que lembro desta vida é da mamadeira que tomava antes de dormir, com pouco mais de três anos de idade. Sugava o leite morno e achocolatado pelo bico de borracha até criar vácuo. Quando soltava a boca para respirar melhor, o leite espirrava até o fundo da mamadeira, junto com o ar que entrava. Este fundo arredondado tinha um vinco entre vírgulas, que parecia um sorriso que hoje me faz sentir simpatia pela logomarca da Amazon.

Só depois de deixar um dedo de leite na mamadeira conseguia pegar no sono. Logicamente deixei este hábito. Aprendi a escovar os dentes e orar antes de dormir. E alguns anos depois troquei a mamadeira pelos gibis e depois pelos livros. Hoje não consigo dormir sem antes deixar um dedo na brochura de um livro, para terminar de ler no dia seguinte.

Meus livros vão se empilhando sobre o criado-mudo, aquele móvel com algumas gavetas que muita gente tem ao lado da cama. Minhas gavetas guardam algumas revistas de carros antigos, um mapa de Roma desatualizado, uma caixa com fotografias, o carregador do meu telefone celular, meu primeiro livro autografado por amigos no dia do seu lançamento, um relógio de bolso que nunca usei e alguns papéis e contas pagas.

Como é gostoso terminar a leitura de um capítulo de um bom livro, já com os olhos riscados pela areia do sono! É um momento entre a vigília e o estar acordado onde não sabemos exatamente o que é sonho e realidade, quando os pensamentos ordinários do dia dão lugar à queima de fogos que se forma nas telas das pálpebras, sem emitir qualquer ruído.

Certa noite chovia cântaros sobre minha casa. Um estrondo no céu anunciou um raio descendo sem asas pelas paredes do meu quarto. A descarga elétrica iluminou o criado-mudo por trás e ele começou a emitir sons de estática feito um rádio mudando de estação. Subitamente comecei a ouvir uma voz de pato esganiçado, como se fosse um efeito especial de televisão, quando a testemunha de um crime dá uma entrevista no jornal:

"Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade... Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito."

Lembrei que li estas passagens embaralhadas no livro bíblico de Eclesiastes.

"A escolha das ações ordinárias para a carteira do investidor defensivo deve ser um assunto relativamente simples. Cada companhia escolhida deve ser grande, conceituada e conservadoramente financiada. Indefinidos como esses adjetivos possam ser, seu sentido geral é claro... Deve haver uma diversificação adequada, porém não excessiva."

Agora o criado-mudo estava citando Benjamin Graham, autor de "O investidor inteligente". Suas frases aparentemente desconexas eram interrompidas por sons de estática e zumbidos de ondas curtas.

"Nunca coma nada que os homens das cavernas não comessem no período paleolítico. Saem alimentos processados, grãos, leguminosas e carboidratos processados e entram hambúrgueres de brontossauros (sem pão), oleaginosas, frutas, hortaliças integrais, peixes frescos e carnes magras."

Belo conselho de David Zinczenko em "Dieta das 8 horas". O que mais o criado-mudo tinha para contar?

"Não sou forte em História Geral e não sabia que, 120 anos atrás, a Suíça era subdesenvolvida e a mortalidade infantil enorme. Portanto, o Brasil tem chances, em um século, de virar primeiro mundo..."

Sua voz começava a fraquejar, pois a descarga elétrica estava se dissipando embaixo do meu estrado (que felizmente era de madeira e me protegeu de qualquer choque), mas pude lembrar que esta afirmação era de Ignácio de Loyola Brandão, reproduzida num livro de crônicas selecionadas que comprei em Campinas.

O último suspiro do criado-mudo, porém, foi de sua própria lavra:

- Traga... mais... livros...

Como dizem que um raio não cai no mesmo lugar duas vezes, a chance do criado-mudo me acordar novamente no meio da noite para fazer revelações relevantes é próxima de zero. Razão pela qual terei que continuar lendo os livros, que não transmitem conhecimento por osmose, salvo em crônicas de realismo fantástico.

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Marketing também se constrói

A décima edição do livro clássico de Ênio Padilha em versão eletrônica.
A décima edição do livro clássico de Ênio Padilha em versão eletrônica.

Por melhores que sejam algumas faculdades de Arquitetura e Urbanismo no Brasil, o mesmo se aplicando aos variados cursos de Engenharia, existem duas lacunas que ainda precisam ser preenchidas: a educação financeira para o profissional, e o seu Marketing pessoal.

Na verdade, estas são frentes que deveriam ser atacadas em diversas áreas do conhecimento: na Medicina, no Direito e até nas áreas exatas de Economia e Contabilidade.

Porém, vamos resolver um problema de cada vez. Nos centremos no "Marketing para Engenharia e Arquitetura", livro escrito pelo professor Ênio Padilha, engenheiro eletricista que há mais de duas décadas estuda o assunto e apresenta concorridas palestras no Brasil inteiro sobre o tema.

A versão impressa do livro já vendeu mais de 25 mil exemplares em nove edições. A novidade agora é que a obra está disponível também na versão eletrônica, bem mais acessível aos jovens engenheiros e arquitetos do Brasil.

Este é o tipo de livro que a gente lê e fica com a impressão de que deveríamos ter lido bem antes, e assim teríamos economizado o tempo e a energia gastos em caminhos improdutivos até encontrar uma saída plausível para divulgar corretamente a qualidade do nosso trabalho, e que os estudos do Padilha nos aponta de forma clara e elementar, sem imposições.

Estamos vivendo numa época de excesso de informação não filtrada, com extrema facilidade para acessar conteúdo não verificado, que aparentemente é capaz de nos ensinar algo. Muita gente tem a falsa impressão de que é possível aprender conceitos valorosos em vídeos de cinco minutos no YouTube.

De concreto, porém, é que a leitura segue sendo um modo confiável de estudar e se aprimorar naquilo que é essencial para o bom desenvolvimento de uma carreira. Neste ponto, a autoridade do mestre Ênio Padilha não foi construída sobre a audiência de vídeos sensacionalistas, mas justamente com a autoria de diversos livros editados e revisados com rigor profissional.

Que seus outros escritos possam ganhar também a versão eletrônica. No momento, recomendamos sem ressalvas o "Marketing para Engenharia e Arquitetura" - obra fundamental na biblioteca real ou virtual de engenheiros e arquitetos.

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quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Poupança só faz sentido se houver propósito

Esqueça, o porquinho da caderneta de poupança não nasceu para voar.
Esqueça, o porquinho da caderneta de poupança não nasceu para voar.

O profeta já dizia que figueiras não produzem azeitonas e videiras não produzem figos. Este é o problema da caderneta de poupança, quando considerada como alternativa de investimento – o que não faz dela uma vilã, como pregam certas “autoridades”.

Estamos vivendo na “Era dos Youtubers”. Aparentemente eles fazem tanto sucesso que são considerados influenciadores digitais. No mundo virtual não há limites para seus egos inflados: “Eu elegi o presidente” – disse um deles. “Vou desferrar sua vida” – prega a autoproclamada mãe dos juros compostos.

Nada contra assistir vídeos na Internet. Existe conteúdo relevante neles, especialmente no campo da educação financeira. Alguns canais do YouTube fazem mais pelas pessoas nesta área do que a maioria das escolas convencionais. Mas também se fala muita bobagem por aí. Precisamos ter senso crítico para assistir um vídeo no YouTube do mesmo modo como devemos ter senso crítico para ler um artigo, incluindo este.

Para chamar atenção do público, alguns youtubers são provocativos: falam coisas para chocar o espectador. Este por sua vez, ser for um desavisado, se sentirá um imbecil. Então, quando alguma solução simples for proposta, voilà: fica a impressão de que um gênio está falando na tela do smartphone. Um gênio que pede um joinha e a ativação do sininho no final da transmissão.

A Geni do mercado financeiro

Nessas horas, coitada da caderneta de poupança – ela é uma das maiores vítimas dos youtubers que falam sobre investimentos na Internet. Batem nela sem dó. Quem tem ou já teve dinheiro numa caderneta de poupança tenta se esconder no buraco mais próximo. Ter uma caderneta de poupança é como ter um disco do Waldick Soriano: quem tem não fala.

Se você tem uma caderneta de poupança e já viu um vídeo no YouTube desancando ela, sabe o que deveria ser respondido nos comentários?

“Eu não sou cachorro, não!”

Fique tranquilo, pois não tem problema algum ter dinheiro numa caderneta de poupança, desde que você saiba suas reais funções.

Primeiramente devemos ter com clareza que a caderneta de poupança não é um produto bancário de investimento, mas é como se fosse uma garagem para estacionar o dinheiro.  A caderneta de poupança repõe apenas as perdas inflacionárias, oferecendo um rendimento real muito baixo. Em 2018, por exemplo, a caderneta de poupança não rendeu sequer 1% acima da inflação, que por sua vez é sentida de modo diferente em cada estrato da sociedade.

Longo prazo

Ou seja, no longo prazo dificilmente o acúmulo de recursos numa caderneta de poupança trará tranquilidade para o complemento de uma aposentadoria. Para o longo prazo o investimento em ações de empresas que pagam dividendos e os aportes regulares em fundos imobiliários serão bem mais eficientes neste sentido, como demonstramos no Guia Suno Dividendos, em função da geração de renda passiva que preserva o patrimônio amealhado.

Médio prazo

Para projetos de médio prazo, como uma viagem de férias com a família, um curso de pós-graduação, a troca de um veículo ou a reforma de um imóvel, a caderneta de poupança perde para o Tesouro Selic, mesmo com as taxas de juros num período de baixa histórica. Em 2018 estima-se que o Tesouro Selic entregou um rendimento real próximo de 3%.

Apesar do rendimento do Tesouro Selic implicar no pagamento de imposto de renda no momento da retirada, ele poderia ser considerado como a nova caderneta de poupança dos brasileiros. Ainda lhe falta, porém, a liquidez imediata, que não ocorre em fins de semana e feriados. Além disso, pode haver interrupções de negociações no Tesouro Direto, sempre que eventos não controlados provocarem movimentos especulativos, num processo semelhante ao Circuit Breaker da Bolsa de Valores.

Liquidez para emergências

Por isso, não se deve usar exclusivamente o Tesouro Selic como colchão de emergência, pois numa necessidade imprevista o dinheiro pode não estar disponível para saque imediato. Esta é a grande vantagem da caderneta de poupança para quem tem acesso ao Internet Banking: é possível transferir recursos para a conta corrente em qualquer dia e horário, sem pagamento de impostos, embora o rendimento mensal fique comprometido, pois ele só ocorre no “aniversário” do depósito.

Manter um fundo emergencial na caderneta de poupança evita que o poupador entre no cheque especial ou atrase o pagamento da fatura do cartão de crédito, cujos juros são estratosféricos, para não mencionar que são pornográficos.

Esta, portanto, é grande função da caderneta de poupança: atuar como fundo de tranquilidade para o poupador que também é investidor, posto que o principal do valor poupado deva ser direcionado para a compra de ativos que geram renda passiva.

Curto prazo

Para compromissos de curto prazo, e para possibilitar compras à vista com descontos reais, a caderneta da poupança também tem grande valia, especialmente nos primeiros meses do ano, repletos de contas importantes para pagar. Vejamos: IPVA do carro, IPTU da moradia, anuidade do conselho profissional, matrícula da escola particular. Todos estes compromissos oferecem bons descontos para o pagamento à vista, uma vez que parcelar qualquer conta é como deixar dinheiro na mesa do credor.

Para quem têm filhos na escola particular a caderneta de poupança pode ser muito útil. Vamos exemplificar simplificando os números, supondo que o valor da mensalidade seja de R$ 1 mil, com matrícula de igual valor. O montante anual seria de R$ 13 mil. É possível negociar descontos generosos para o pagamento antecipado de todo o ano. Neste caso, algumas escolas oferecem de 8% a 12% de desconto, taxa que pode ser progressiva conforme a fidelidade entre as partes ao longo do tempo.

Para facilitar vamos considerar um desconto de 10%. Dos R$ 13 mil originais, o valor pago cai para R$ 11.700 que, dividido por 12 meses fica em R$ 975 ao invés dos mais de R$ 1.083 previstos anteriormente. A diferença de R$ 108 permite a compra de uma cota de um bom fundo imobiliário por mês, capaz de gerar 10% desse valor ao ano, apenas em rendimentos livres de impostos, fora a valorização das cotas. 

Além do mais, se você considerar que a poupança rendeu 4% no ano (sem descontar a inflação) e o desconto na escola foi de 10%, então, numa conta de padeiro, é como se o seu capital tivesse rendido 14% – seguramente mais de 1% ao mês. Nada mal.

Questionamento

Posto isso, será que vale a pena gastar tempo e energia procurando algum CDB que bata o CDI e que tenha liquidez diária? Talvez não, uma vez que o retorno financeiro que realmente importa é oriundo de ativos geradores de renda passiva no longo prazo.

Você, que tem senso crítico e já leu 101 Perguntas e Respostas para Investidores Iniciantes do Tiago Reis e Felipe Tadewald, pode me trucar sobre a questão número 26. Para não deixar dúvidas, vamos reproduzi-la integralmente:

“26) Em qual investimento deixo o meu fundo de emergência?

Particularmente utilizo como fundo de emergência o fundo BTG Pactual Yield DI RF CP, que possui uma liquidez elevada, permitindo resgate em D+0, e entrega uma rentabilidade bruta próxima ao CDI.

Como utilizo a renda fixa apenas como um modo de ter recursos disponíveis imediatamente para poder comprar ações em momentos de volatilidade, ou para eventuais custos e despesas emergenciais, e não para simplesmente buscar rentabilidade, esse produto me serve muito bem.

É recomendável que para fundo de emergência o investidor utilize um fundo com liquidez imediata e com baixas taxas de administração, sendo que o ideal é que essa taxa não supere 0,5%.

Infelizmente fundos de renda fixa de grandes bancos geralmente cobram taxas abusivas, e oferecem rentabilidades baixas e, portanto, é interessante que o investidor busque esses fundos em plataformas de corretoras, que geralmente oferecem muito mais produtos.

Conclusão

Portanto, se você está convencido de que a caderneta de poupança realmente não é um bom negócio, já tem o parecer de especialistas em investimentos sobre onde alocar seu fundo de emergência, mas isso não desmerece quem optar pela solução tradicional, acessível à maioria da população e aos investidores em começo de jornada.

Deixar por deixar dinheiro na caderneta de poupança é como ter um carro que nunca sai da garagem. Porém, se houver um propósito para este dinheiro – o tal do destino – então ela terá sua importância. Ela pode ser brega como a música de Waldick Soriano, mas isso no Brasil não é um problema, a não ser para alguns youtubers descolados.


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quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Mais um ano para investir pagando menos impostos

"Una e o Leão", pintura de Briton Riviere (1840-1920) inspirada no poema épico "A Rainha das Fadas" de Edmund Spencer. (Texto publicado originalmente em 27 de dezembro de 2017 no grupo da Suno Research no Facebook)
"Una e o Leão", pintura de Briton Riviere (1840-1920) inspirada no poema épico "A Rainha das Fadas" de Edmund Spencer.

Entre o Natal e a virada do ano, vivemos dias de limbo. Tenho dó destas datas entre 26 e 30 de dezembro onde nada de relevante parece acontecer. Os canais de televisão já deixam suas retrospectivas editadas e ignoram sem solenidade esta semana preguiçosa, onde quem precisa trabalhar deve ter muito cuidado ao acessar as redes sociais, vendo seus amigos e inimigos fazendo selfies por aí.

Muitas pessoas aproveitam esta época do ano para fazer reflexões pessoais, revisão no carro e promessas para um novo tempo. Aqueles poucos brasileiros que investem no mercado de ações têm uma boa oportunidade para verificar sua carteira de ativos, analisando suas valorizações e seus rendimentos, ou se decepcionando com alguma escolha feita no ano que passou.

Pessoalmente, não me dou esse trabalho. Não nesta época do ano. Como investidor de longo prazo, procuro controlar a tentação de revisar minha carteira com frequência. Faço isso quando sou forçado a fazer.

Basicamente, é a Receita Federal que me obriga a inspecionar a carteira de ativos uma vez por ano, entre março e abril. Nestes meses o brasileiro se ocupa de fazer a declaração anual de ajuste do imposto de renda das pessoas físicas.

Tem gente que preconiza o investimento por conta própria, fugindo de fundos com altas taxas de administração, mas na hora de ajustar as contas com o Leão, terceiriza a tarefa para algum contador. Eu não. Prefiro investir por conta própria e cuidar da minha declaração anual sozinho. Dá trabalho. É chato. Talvez, por isso, a Receita Federal empurra essa obrigação para depois do Carnaval.

Quem investe em ações e fundos imobiliários precisa ter ainda mais atenção na hora de preencher sua declaração anual de imposto de renda. Felizmente a Suno Research publicou um guia para mastigar tudo para seus assinantes e leitores.

E lá vamos nós, acessar o site da corretora de valores, para baixar os extratos mensais e as notas de corretagem. Sou quase um macaco velho, então imprimo tudo para anexar na pasta onde registro toda a minha contabilidade pessoal.

Como todo macaco velho, não gosto de pagar imposto sem precisar – isso é bem diferente de sonegar. Sonegar é crime. Mas se tem uma brecha permitida por lei para não pagar taxas e impostos, então procuro cravar minha cunha nela.

Daí resulta que sou muito seletivo para fazer aportes em fundos imobiliários. Só compro se for para abraçar. Não faço giro de carteira, entre outros motivos, para não pagar impostos. Quando preciso me desfazer de alguma posição em ações, o faço dentro do limite mensal de isenção. Pagar menos impostos é um dos pilares do investidor de longo prazo.

Voltando à papelada gerada pela corretora de valores: nela repasso todas as movimentações feitas no ano anterior, tirando delas o histórico de cada ativo que vou lançando na declaração. Com tal medida, consigo confirmar o preço médio de cada ação, cuja meta é sempre abaixar, quando possível.

Todos os recebimentos de dividendos (prazerosamente livres de impostos) e JCP (Juros sobre o Capital Próprio com impostos retidos na fonte) são novamente inspecionados, com a vantagem de obter o valor total amealhado em todo o ano. Esse valor dividido por doze equivale à renda mensal passiva que, por enquanto, é toda reaplicada, mas indica o quanto caminhamos no mesmo período.

A meta é sempre elevar este valor mensal, até que ele suplante o valor da renda trabalhada.

Por falar em renda trabalhada, é por causa dela que mais pago imposto de renda. Em quase vinte anos de carreira, recebi salários com retenção de impostos na fonte durante apenas um semestre, quando atuei como professor convidado numa faculdade. No restante do tempo, minha renda trabalhada sempre foi variável, pois sou profissional liberal.

Aqui, o macaco velho vai compartilhar algo bom da Receita Federal: ela mesma te ensina como pagar menos impostos, ou como obter maior restituição após a declaração de ajuste.

Profissionais autônomos e liberais, além daqueles que recebem aluguéis como pessoas físicas, podem baixar um programa denominado “Carnê-Leão”.

Neste programa vem embutido o Livro Caixa, onde o contribuinte pode lançar todos os seus recebimentos e despesas. Existem despesas dedutíveis e despesas não dedutíveis. Para saber diferenciá-las existe um guia no próprio programa.

Quem tiver a paciência de lançar pequenas despesas, como conta de água, energia e telefone (no caso de quem trabalha em casa algumas das despesas são divididas por cinco), se surpreenderá com a redução do imposto a pagar mensalmente, através de um DARF – Documento de Arrecadação Federal – gerado automaticamente.

O Livro Caixa ofertado pela Receita Federal foi criado originalmente para auxiliar o contribuinte a pagar impostos corretamente, mas acaba servindo como recurso de controle de contas, gerando balanços financeiros mensais.

Mesmo quem é assalariado, mas tem uma pequena renda mensal extra com prestação de serviços, poderá usar o Carnê-Leão para lançar despesas dedutíveis, que na declaração de ajuste anual seriam ignoradas pelo sistema. Ou seja, quem se organiza paga menos impostos.

Outro caminho para pagar menos impostos e garantir ao menos um salário mínimo de aposentadoria através da Previdência Social, é verificar se a sua renda extra informal é compatível com a abertura de um MEI – Micro Empreendedor Individual.

Com a reforma trabalhista, cada vez mais os assalariados serão direcionados para aderir à abertura de um CNPJ, por causa da terceirização regulamentada. O MEI acaba sendo uma porta de entrada para pequenos empreendedores testarem sua veia empresarial, sem o freio de pesadas cargas tributárias.

Na realidade brasileira sabemos que a renda trabalhada está cada vez mais achatada. Quem não possui um emprego estatal protegido da quebradeira que assolou o país, sabe que nos últimos anos tem sido difícil manter o padrão de renda adquirido nos tempos das vacas gordas.

Portanto, cada vez mais a disciplina para investir em longo prazo deve prevalecer. Gastar todo o dinheiro ganho é fácil. Endividar-se é mais fácil ainda: qualquer um consegue. Mais difícil é fazer economia. Quem consegue viver com menos do que ganha já deu um grande passo para investir com inteligência.

Por isso, nos dias preguiçosos entre o Natal e a virada do ano, nem olho para minha carteira de ativos – vou me atentar para ela quando o Leão pedir. Ao invés disso, procuro pensar de que forma consigo aumentar meus aportes mensais no ano seguinte, rumo à independência financeira, quando os dias preguiçosos poderão tomar conta do resto das estações.

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

O Natal, a Bolsa e os tempos de paz

"The Kensingtons at Laventie" de Eric Kennington, 1915. Pintura exposta no Imperial War Museum em Londres. (Publicado originalmente no grupo da Suno no Facebook em 12 de dezembro de 2017.)
"The Kensingtons at Laventie" de Eric Kennington, 1915. Pintura exposta no Imperial War Museum em Londres.

As grandes guerras mundiais do século 20 são as maiores chagas do nosso tempo. Se elas foram responsáveis por grandes avanços tecnológicos, que depois resultaram em benefícios para a sociedade em tempos de paz, o custo em vidas humanas foi caro demais, causando danos perpétuos para os quais não há reparação.

Nada pode ser mais degradante do que ser obrigado a transitar por uma trincheira cavada na terra, que em dias de chuva se converte num canal de esgoto por onde correm os restos mortais de vítimas de um conflito irracional. Tiros de metralhadoras impedem a visão do campo de batalha. O medo se instala nos rostos de seus companheiros e estranhos rezam para não serem escolhidos para ocupar a linha de frente do combate.

A região fronteiriça da França com a Bélgica virou terra de ninguém em 1914 – ano da eclosão da Primeira Guerra Mundial. De um lado, ingleses e franceses tentavam conter os avanços do exército alemão, na direção oposta. Negociações diplomáticas que envolveram inclusive o Papa Bento XV mostraram-se infrutíferas. Tudo indicava que a noite de Natal seria passada sob a tensão das armas de fogo.

No entanto, um soldado alemão começou a entoar a canção “Noite Feliz”. Logo um coro de alemães o acompanhou. Ao fim da música o silêncio prenunciou algo inusitado. Os ingleses agradeceram a apresentação. Os comandantes dos regimentos sinalizaram um aperto de mãos.

Quando ficou claro que os tiros haviam cessado, alemães, ingleses franceses se aproximaram. Todos passaram o Natal juntos. Na falta de presentes enlaçados, eles trocaram barras de chocolate, fotografias de entes familiares, cartas de esposas esperançosas e goles de bebidas alcoólicas. No dia seguinte, jogaram uma partida de futebol, com 60 soldados de cada lado.

Generais ordenaram o recomeço da batalha, mas os tiros eram desperdiçados em direções neutras. Este episódio foi encenado, inclusive, num clipe musical de Paul McCartney em 1983, intitulado “Pipes of Peace”. Já em 2005 um filme inteiro foi rodado com este mote: "Joyeux Noel".

Os momentos de paz, no meio de uma sangrenta guerra, foram possíveis por causa do desejo sincero das pessoas em realizarem trocas voluntárias que, independente de crenças espirituais, são fortemente incentivadas na proximidade do Natal.

Neste ponto, certamente você já leu artigos sobre os excessos que ocorrem nas ceias de Natal. Criticam o fato de algumas famílias terem tanto para gastar com presentes e lembranças, ao passo que outros passam fome. Outros dizem que o verdadeiro espírito de Natal é deixado de lado em favor da comilança e do consumismo.

Isso é repetido nas escolas e nas redes sociais. Querem nos fazer sentir culpa pelo fato de que podemos nos reunir com parentes ou amigos para festejar. Quem nunca caiu nessa conversa?

Eu já caí. Até que tomei consciência de que o Natal é o período do ano mais esperado pelos lojistas. Muitas empresas saem do vermelho com as vendas natalinas. Mesmo em tempos de crises econômicas, as pessoas não deixam de comprar algo para seus entes queridos. Isso é bom!

Com a proximidade do Natal, empregos temporários são criados. Oportunidades surgem. Quantos funcionários temporários não se tornam funcionários fixos no comércio? Certamente você conhece alguém em situação parecida.

A origem do Natal é importante para quem acredita nela, mas inclusive os desprovidos de qualquer sentimento de fé podem se beneficiar das comemorações no fim do ano – período onde as pessoas mais realizam as trocas voluntárias que movimentam a economia como um todo.

O que isso tem a ver com a Bolsa de Valores?

Tudo.

No mercado de capitais, todo dia útil é como se fosse um dia de Natal, no qual não apenas pessoas, mas empresas de todo porte, fazem trocas voluntárias.

Você, como investidor, não é obrigado a comprar ações de qualquer empresa. Ninguém aponta uma pistola na sua cabeça e ordena: “Compre ações da Taesa!” – Se você compra ações da Taesa, o faz uma vez que esta é a sua vontade.

A Taesa também não é obrigada a pagar dividendos pomposos para você. Mas ela o faz não só perto do Natal, mas também perto do Carnaval, das Festas Juninas e do Dia das Crianças.

Trocas voluntárias. Se uma empresa não te deu nada em troca pelo fato de você ter dado valor para ela, então não fez sentido investir na mesma.

Depois do encerramento da Segunda Guerra Mundial, europeus e norte-americanos chegaram à conclusão de que viver em paz era mais inteligente. Eles fundaram a Organização das Nações Unidas – ONU – no mesmo ano. Num movimento semelhante, dois anos depois surgiu o Acordo Geral de Tarifas e Comércio, que em 1995 se converteu na Organização Mundial do Comércio – OMC.

Os objetivos da ONU e da OMC são promover a paz e o livre comércio entre as nações. Os dois conceitos são possíveis justamente por causa das trocas voluntárias. Portanto, se você investe através da Bolsa de Valores, você também investe na paz.

Exagero? De modo algum. Conforme Tiago Reis já escreveu, pergunte para os executivos da Apple, da Coca-Cola ou da Monsanto se eles desejam ver uma guerra entre Estados Unidos e China. Para os gestores do Facebook e do Google, uma nova guerra mundial travada na Europa teria graves consequências para seus negócios.

As atuais ameaças de guerras e as ações terroristas são praticadas principalmente por aqueles que bradam contra o livre comércio – o primo irmão da democracia. Se o mundo não está livre do terror e das guerras, ao menos os conflitos bélicos deixaram de ser incentivados em países onde a economia é baseada nas trocas voluntárias. Isto não significa que eles possam se desarmar. O que não deixa ser lamentável.

Ao menos no próximo Natal, você não precisa se sentir culpado por demonstrar afeto por alguém lhe presenteando, por exemplo, com uma blusa das Lojas Riachuelo, empresa sob o guarda-chuva da Guararapes, cujas ações estão entre as que mais se valorizaram desde o Plano Real.

Na Suno Research, os analistas não descansam nem no Natal, para que você tenha acesso a conteúdo relevante sobre investimentos de valor com foco no longo prazo. Que seja um longo prazo repleto de paz.

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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

O longo prazo premia a força de vontade

Vincent van Gogh (1853-1890), “A Noite Estrelada” (1889), pintura do acervo do MoMA em Nova York. (Publicado originalmente no grupo da Suno Research no Facebook em 28 de março de 2018.)
Vincent van Gogh (1853-1890), “A Noite Estrelada” (1889), pintura do acervo do MoMA em Nova York.

Quem ganha seu dinheiro de forma suada sabe que o mesmo não deve ser investido ao sabor da sorte. Existe alguma estratégia de investimento que premia mais o esforço do que o talento e a inteligência, que são variáveis? Existe e ela está ao alcance de todos.

Por Jean Tosetto 

Caminhamos pelos centros das grandes cidades e vemos muita gente talentosa exibindo seus dons diante de uma lata com algumas moedas. O violinista parece mais virtuoso do que aquele que casou com a filha de um cantor sertanejo. Porém, ele não está no programa da TV recebendo aplausos. Ele está olhando para você, esperando que reconheça seu esforço a ponto de tirar uns trocados do bolso, num gesto de agradecimento por alguns acordes inspiradores.

O que diferencia um músico do outro? Aos ouvidos de um leigo, quase nada. Mas a sorte parece ter faltado para um e sobrado para o outro – ou será que foram os contatos com as pessoas certas, ou a falta deles, que resultou em oportunidades distintas?

Por vezes, o universo parece ser indiferente com as pessoas. O melhor aluno da sala nem sempre é o melhor profissional do mercado de trabalho. O Doutor em Economia nem sempre consegue pagar as contas no fim do mês. Este pode viver em casa de aluguel e nem desconfiar que o dono dela já foi pedreiro por trinta anos – e sequer completou o ensino primário.

De algum modo, confundimos inteligência com instrução, e talento com garantia de sucesso. Somos educados para pensar assim, mas estamos errados.

Vincent van Gogh, nascido numa família holandesa de classe média alta, foi um fracasso em vida, embora a tenha dedicado à pintura, com mais de duas mil obras realizadas. Seu talento só foi reconhecido anos depois de seu passamento em 1890, a ponto dele ser considerado um gênio incompreendido de sua época.

O preço da realização

Inteligência e talento são fatores importantes? Sim. São decisivos? Nem sempre. Você já viu uma pessoa medíocre ocupando uma posição de destaque numa empresa ou numa repartição pública, pois seu grande trunfo era ser protegida por algum chefe ou cacique político? Você já espumou de raiva por causa disso? Eu também.

Em maior ou menor grau todos nós somos dotados de alguma inteligência e talento. Para o bem da sociedade, estas aptidões são distintas. Porém, o grande fator que diferencia as pessoas está na força de vontade.

É a força de vontade que permite a muita gente trabalhar em dois turnos e ainda cursar uma faculdade de noite. É a força de vontade que permitiu ao sujeito que passava fome no Vêneto se enfiar um transatlântico e descer no porto de Santos, sem saber em que sertão teria que arar a terra com uma enxada, antes de comprar o primeiro par de sapatos.

Quem cursa uma faculdade de noite ou troca de continente para ter uma vida melhor é movido inicialmente por um sonho. Sonhar é de graça. O que pode custar muito caro é a força de vontade – ou a falta dela – para realizar o sonho.

O ingrediente comum dos vencedores

Somente uma boa ideia não é suficiente para uma empresa prosperar. É preciso reunir uma equipe competente e capaz de trabalhar incansavelmente para alcançar metas. Para cada Steve Jobs, de quantos funcionários devotados uma Apple precisa para ser uma das empresas com maior valor de mercado no mundo? Mais de 40 mil. Da quantidade vem a qualidade.

Quando a imprensa divulga estimativas sobre o patrimônio bilionário de grandes investidores do mercado financeiro, como Warren Buffett nos Estados Unidos e Luiz Barsi Filho no Brasil, é compreensível que muitos associem o perfil deles com o de pessoas inteligentes e talentosas.

Porém, basta estudar um pouco a biografia de ambos para constatar um traço de personalidade em comum: eles cultivaram a força de vontade por décadas, permitindo a eles serem parceiros de grandes empresas, mesmo quando elas atravessavam momentos de baixa nas cotações.

O motor de qualquer estratégia vencedora de investimentos é ter capital suficiente para fazer aportes recorrentes no mercado de capitais. Para quem ainda não colheu os primeiros dividendos para reinvestir, esse capital só fica disponível quando alguém consegue viver com menos do que ganha.

A pedra angular da educação financeira

O princípio da educação financeira é justamente conseguir poupar dinheiro mensalmente. É preciso ter a inteligência acima da média para compreender isso? De modo algum. É preciso ter algum talento para conseguir isso? Só se for para manter o atual padrão de consumo e aumentar a renda no ofício. Mas este não é um aspecto fundamental.

O fundamental para economizar dinheiro é ter força de vontade. Saber que é preciso deixar de ir ao restaurante favorito uma vez por semana, para ir apenas uma vez ao mês, é fácil. Difícil é resistir à tentação e à comodidade da jantar fora de casa. Saber que a camisa polo de marca custas três vezes mais que a camisa genérica – e tão boa quanto – é fácil. Difícil é controlar a vaidade.

Se, para investir suas economias no mercado financeiro as pessoas dependessem de muita inteligência e talento, então as empresas de capital aberto quebrariam uma após a outra, pois as Bolsas de Valores ao redor do mundo agregam pessoas de vários extratos da sociedade. Mesmo os grandes fundos de investimento também captam recursos de trabalhadores comuns.

Persistir até conseguir

Uma das belezas do mercado de capitais é que, independente do talento e da capacidade intelectual das pessoas, ele vai premiar quem investe no longo prazo, com força de vontade, mesmo quando a estratégia for defensiva e conservadora, baseada em dividendos que são reinvestidos juntos com novos aportes, por anos a fio.

Professores, médicos, advogados, engenheiros, comerciantes, nutricionistas. Eles não possuem obrigação alguma de saber se a empresa A é melhor que a empresa B para investir. Eles são úteis para a sociedade dedicando-se com afinco em seus ofícios.  Se eles quiserem atuar como investidores, vão precisar de parte desse afinco para poupar recursos.

Eles não dispõem de tempo para fazer jogadas mirabolantes com alta rentabilidade e alto risco, capazes de levá-los ao Olimpo ou à sarjeta em questão de minutos. Por isso eles precisam investir no longo prazo, em ativos suportados por gente como eles: repleta de força de vontade.

É para isso que a Suno Research existe: para ajudar pessoas que tem força de vontade a investir com inteligência, e para que elas descubram que possuem o talento de buscar a independência financeira no longo prazo. Faça uma assinatura hoje mesmo.

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