quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Bolsonaro já é personagem da nossa história


Foto de Jair Bolsonaro em seu perfil no Twitter.
Foto de Jair Bolsonaro em seu perfil no Twitter.

Tenho conversado com pessoas que considero esclarecidas, com experiência de vida, viajadas e que cultivam o hábito da leitura. Me surpreende que elas manifestem o desejo de votar em Bolsonaro, embora não reconheçam isso publicamente.

Também vejo pessoas que poderiam ser formadoras de opinião, pedindo todas as desculpas do mundo antes de simplesmente mencionar o nome de Bolsonaro em seus comunicados, revelando que são reféns do "politicamente correto".

Não é para menos: Bolsonaro sempre falou pelos cotovelos, dando coices verbais em todos - e todas - que pensam diferente dele. Para mim, ele veio construindo um personagem caricaturado ao longo dos anos, falando inicialmente para um público conservador carioca que sempre lhe garantiu um mandato como deputado federal.

Jornalistas amplificam sua imagem de homem grosso, dono de um discurso superficial e calcado em frases de efeito, buscando antagonismo com outro político de semelhante descrição: o ex-presidente Lula.

Se até poucas semanas poucos levavam a sério a possibilidade dele ser eleito presidente da República, após seu desempenho convicto diante de entrevistas em veículos populares de comunicação, muitos setores da sociedade já contam com isso. O atentado sofrido em Juiz de Fora disparou uma comoção nacional e potencializou este processo.

Você pode imaginar que Bolsonaro é um fenômeno de popularidade espontâneo, mas isso definitivamente ele não é. Longe de ser o sujeito viril e turrão capaz de proferir bravatas para peitar seus opositores, Bolsonaro é um militar da reserva treinado fisicamente e mentalmente para aguentar muito mais do que uma facada na barriga.

Vejamos: ele foi aprovado num exame de admissão concorridíssimo para cursar a Escola Preparatória de Cadetes do Exército em Campinas, de onde anos depois seguiu para Academia Militar das Agulhas Negras em Resende, no Rio de Janeiro. Ninguém se forma nestas condições sendo um analfabeto funcional. Pelo contrário, a disciplina e a rigidez impostas a quem faz carreira militar molda também o intelecto das pessoas numa escala superior à que se vê na média do ensino público.

Bolsonaro tem três filhos envolvidos na política e todos são bem articulados em entrevistas para a grande mídia, com ótimo desempenho nas redes sociais.

Por ser assumidamente um baluarte da direita num país que passou as últimas décadas flertando com a radicalização da esquerda, Jair Bolsonaro tem sua imagem associada a outro político tido como falastrão e reacionário: o presidente norte-americano Donald Trump.

No entanto, sua origem militar, sua compleição física e sua obstinação faz de Bolsonaro alguém com potencial para ser comparado com outro líder mundial: Vladimir Putin, o presidente da Rússia que começou a carreira no serviço secreto da União Soviética.

No populismo, esquerda e direita são lados da mesma moeda. A moeda que tem Lula na cara, mostra a face de Bolsonaro na coroa. Ele pode não ser eleito o próximo presidente do Brasil, mas definitivamente sua capacidade de fazer real oposição ao país que caminha para o caos social não pode ser ignorada. Se ele é capaz de reverter o quadro, isso é outra história. E a história está sendo contada intensamente neste imprevisível ano de 2018.

Veja também:

Um comentário:

  1. 1. Uma imagem fala mais que 1.000 palavras, duas ...

    Duas imagens: a foto do candidato Bolsonaro hospitalizado, sentado na poltrona e fazendo o gesto apontando um fuzil; a outra foto é do menino fazendo gesto semelhante, enquanto assistia ao desfile militar em comemoração à Independência do Brasil, em companhia de seus pais, o presidente da república e a primeira dama.

    2. O Brasil ainda teria chances de tornar realidade o que está escrito em nossa Bandeira Nacional, ORDEM E PROGRESSO?

    3. Ou, o ódio, a desordem e o retrocesso asfixiarão de vez a Esperança?

    4. E agora?

    Barão do Amazonas(1804-1882), herói da Guerra do Paraguai, venceu a Batalha Naval do Riachuelo. É autor da frase "O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever".

    Em pleno século 21 o Brasil continua esperando que cumpramos com o nosso dever e, desta vez, o nosso dever é desentortar as tortas linhas escritas por seres corruptos, ou ideólogos inconsequentes e soberbos, e até broncos e traidores cambaleantes, todos contando com a nossa pouca coragem e disposição para contesta-los e recusa-los nas urnas. Em consequência, elegemos os presidentes Collor, FHC, Lula, Dilma e seu substituto Temer, além de milhares de corruptos por todo o Brasil. E o resultado? ...

    5. A infância e a juventude de hoje vivenciarão o início desse futuro com Amor, Ordem e Progresso?


    AHT
    12/09/2018

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