sábado, 9 de maio de 2026

Por que você deveria começar a pedalar agora: saúde, liberdade e a bicicleta certa para cada bolso

Por que você deveria começar a pedalar agora: saúde, liberdade e a bicicleta certa para cada bolso

Voltei a pedalar na pandemia por necessidade. Virou paixão. Hoje tenho uma coleção de bikes e já disputei provas de bicicletas clássicas. Mas o mais importante: você não precisa de nada caro pra começar. Capacete, vontade e uma bike de entrada já bastam. Pedalar é terapia.

Uma infância sobre duas rodas

Pedalar é uma daquelas coisas simples que podem transformar a rotina de uma pessoa. Afirmo isso sem querer parecer um pregador de hábitos saudáveis ou um fiscal da vida alheia. Quero apenas compartilhar um pouco da minha experiência com a bicicleta, porque talvez ela desperte em você a mesma paixão que despertou em mim.

Sempre gostei de pedalar. Desde muito pequeno, por volta dos quatro ou cinco anos de idade, já andava numa pequena Caloi vermelha que era do meu irmão e depois passou para mim. Mais tarde, meus pais me deram de presente de Natal uma Monark que imitava uma motocicleta. Ela tinha até um falso tanque de combustível no quadro, embora dependesse exclusivamente do pedal para se mover. Era pesada, mas eu adorava aquela bicicleta.

Na adolescência, troquei essa Monark por uma Caloi Cruiser. Curiosamente, tenho essa bicicleta até hoje. Já comprei outras bicicletas ao longo da vida, mas nunca consegui me desfazer dela, porque virou uma lembrança afetiva.

O abandono e o retorno

Até o fim do ensino médio, pedalava bastante pela cidade. Depois, quando entrei na faculdade e comecei a carreira profissional, fui abandonando o hábito aos poucos. Passei um bom tempo praticamente sem pedalar. Mais tarde, já casado, voltei a andar de bicicleta de forma moderada, principalmente porque nunca tive muita afinidade com academia. Então comecei a alternar caminhadas com pequenos passeios de bicicleta.

A pandemia e a bicicleta como terapia

Quando chegou a pandemia, em 2020, aconteceu aquele fenômeno que muita gente viveu: as pessoas ficaram confinadas dentro de casa e começaram a procurar maneiras de preservar a saúde física e mental. O ciclismo explodiu nesse período. Muita gente comprou bicicleta e começou a pedalar ao ar livre, já que isso oferecia menos risco de contaminação.

Comigo não foi diferente.

Peguei minha velha Caloi Cruiser e comecei a pedalar diariamente. Pedalei tanto que o pneu chegou a estufar no aro e o pé de vela acabou quebrando. Mas aquilo foi uma verdadeira terapia. Como estava em home office, aqueles pedais diários ajudavam a organizar minha mente, aliviar o estresse, controlar a pressão arterial e colocar as ideias em ordem. Durante aquele período difícil, a bicicleta virou uma espécie de salvação emocional.

O Giro Vecchio e a redescoberta da paixão

Quando você começa a gostar de alguma coisa, naturalmente acaba se aproximando de pessoas que compartilham o mesmo interesse. Foi assim que um amigo meu, o Adilson Nicoletti, me convenceu de que precisava de uma bicicleta "decente" para pedalar. Minha Cruiser era ótima para passeio, mas ele me apresentou ao Giro Vecchio, uma prova de bicicletas antigas disputada no interior de São Paulo.

O Giro Vecchio é uma modalidade voltada para bicicletas clássicas, fabricadas até 1987, com quadro de aço, cabos de freio aparentes e rodas tradicionais. São aquelas bicicletas pesadas de dez marchas usadas pelos grandes heróis do ciclismo de antigamente.

O Nicoletti me emprestou uma Caloi 10 para participar da prova e me apaixonei pela modalidade. Depois, ele conseguiu para mim uma Monark 10 marchas, e comecei a treinar com ela. A paixão pelo ciclismo voltou com força total.

Qual bicicleta escolher: do clássico à gravel

Mas existe um detalhe: quem pedala bicicleta antiga dificilmente consegue acompanhar o ritmo de quem usa bicicletas modernas. Foi então que resolvi investir numa gravel da marca Oggi, a Velloce Disc. A gravel é uma mistura de bicicleta de estrada com mountain bike. Ela não é a melhor para asfalto nem a melhor para terra, mas é versátil para quem não é atleta profissional. Foi uma boa escolha.

De vez em quando ainda fico admirando outros modelos, como algumas gravel da Rino, que têm preços acessíveis para quem quer começar. E esse é justamente o conselho que gostaria de deixar: você não precisa ter uma bicicleta caríssima para começar a pedalar.

Existem bicicletas que custam o preço de um carro, mas isso está muito longe de ser necessário. Com algo entre dois e três mil reais, já é possível comprar uma bicicleta de entrada capaz de proporcionar experiências prazerosas. E, se você se apaixonar pela prática, aí sim pode pensar em evoluir para outros equipamentos. Ou não. Você pode permanecer com sua bicicleta simples por muitos anos, como eu continuo com a minha.

Hoje tenho até uma pequena coleção de bicicletas. Uso cada uma em momentos diferentes, justamente porque cada pedal proporciona uma sensação diferente.

Inclusive, depois da minha primeira participação no Giro Vecchio, escrevi um pequeno e-book chamado O Pedal, disponível na Amazon. Foi um livro gostoso de escrever e, felizmente, as pessoas que leram também apreciaram a leitura.

Equipamentos e cuidados essenciais

Mas não basta apenas comprar uma bicicleta. Existem alguns cuidados importantes.

O primeiro deles é o capacete. Não importa se você vai apenas até a padaria: use capacete. Mesmo em baixa velocidade, uma queda pode causar consequências graves.

Eu mesmo já precisei agradecer ao capacete por estar vivo. Durante um pedal em Joaquim Egídio, colidi com outro ciclista que parou em diagonal na minha frente. Não consegui frear a tempo e passei por cima da bicicleta dele. Minha cabeça bateu no chão três vezes. Se estivesse sem capacete, provavelmente não estaria aqui contando essa história.

Também recomendo fortemente o uso de óculos. Eles protegem os olhos contra insetos, poeira, vento e radiação solar. Já aconteceu comigo de um mosquito atingir diretamente meu olho durante um pedal, causando muita irritação. Depois disso, nunca mais saí sem proteção ocular.

As luvas também ajudam bastante. Há quem ache que é frescura, mas não é. Em qualquer queda, o reflexo natural é apoiar as mãos no chão. As luvas protegem as palmas contra cortes e abrasões, principalmente em asfalto ou estrada de terra.

Outra recomendação simples é usar uma pequena bolsa presa ao quadro da bicicleta. Nela você pode carregar celular, carteira, chave de casa, barras de cereal e pequenos objetos sem desconforto. E, claro, leve sempre água. Pedalar desidratado é péssimo para o corpo e para o desempenho.

O selim também merece atenção. Muitas bicicletas vêm com bancos duros e desconfortáveis. Trocar por um selim de gel, especialmente aqueles modelos bipartidos, melhora muito o conforto e ajuda inclusive na preservação da região pélvica. Pedalar não faz mal para a próstata, como algumas pessoas imaginam, mas um bom selim realmente faz diferença.

Os benefícios que vão além do físico

No fim das contas, a bicicleta oferece muito mais do que exercício físico. Ela melhora o condicionamento cardiorrespiratório, ajuda no controle do peso, reduz o estresse, organiza os pensamentos e ainda proporciona uma sensação genuína de liberdade.

Dependendo da cidade, você pode até utilizá-la para ir ao trabalho ou à escola. Só é importante escolher trajetos mais seguros, com menos trânsito, ciclovias ou ruas tranquilas. Particularmente, prefiro pedalar em bairros calmos e estradas vicinais. Competir por espaço com caminhões e carros em rodovias movimentadas é algo que exige muito cuidado.

E existe outra vantagem importante: pedalar ajuda você a se desconectar um pouco do excesso de estímulos digitais. Não faz sentido sair para pedalar e passar o percurso inteiro olhando para o celular. A bicicleta oferece justamente a oportunidade de reconectar você ao ambiente, ao corpo, ao silêncio e aos próprios pensamentos.

Por isso, fica aqui o meu convite: se você tiver condições, experimente pedalar. Não precisa começar com grandes distâncias nem com equipamentos sofisticados. Comece devagar. Talvez você descubra um hobby. Talvez descubra uma terapia. Talvez descubra uma paixão.

Porque, acima de tudo, pedalar é uma maneira simples e bonita de desfrutar a dolce vita.

Clique aqui e confira minha lista de sugestões para começar a pedalar! *

Veja também:

O Peso Certo: um Conto Colaborativo

O quadro da Caloi Cruiser 87

O Pedal (e-book disponível na Amazon)

* Como participante do Programa de Associados da Amazon, sou remunerado pelas compras qualificadas e efetuadas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O seu comentário construtivo será bem vindo. Não publicaremos ofensas pessoais ou dirigidas para qualquer entidade. EVITE ESCREVER SOMENTE COM MAIÚSCULAS. Não propague spam. Links e assuntos não relacionados ao tema da postagem serão recusados. Não use termos chulos ou linguagem pejorativa.