sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Para se proteger das baleias nade com os tubarões

"Jonas e a Baleia" (1621) - pintura de Pieter Lastman (1583-1633) exposta no Museum Kunstpalast em Düsseldorf, Alemanha.
"Jonas e a Baleia" (1621) - pintura de Pieter Lastman (1583-1633) exposta no Museum Kunstpalast em Düsseldorf, Alemanha.

Por Jean Tosetto *

Quando pensamos numa baleia e que ela é um dos maiores seres vivos do planeta, podemos imaginar que ela se alimenta de grandes peixes, e que trava duelos homéricos com outros gigantes do mar. Ao contrário. As baleias se alimentam de peixes pequenos, que facilitam a sua vida nadando em cardumes. Mais do que peixinhos, as baleias gostam de krill, uma espécie que lembra o camarão. Este crustáceo é tão pequeno que caberiam vários na palma da sua mão.

Os krills vivem e morrem em grupo. Seus aglomerados podem atingir até 30 mil indivíduos por metro cúbico. Talvez eles pensem instintivamente que deste modo estão mais protegidos. Mas eis que vem a baleia, abrindo sua bocarra e arrastando tudo que vem pela frente: água, peixes, fitoplânctons, zooplânctons, krills. Feito o banquete, a baleia descarta o que não interessa e fica com os peixes e krills.

Posto isso, tenho uma péssima notícia para você. Não, você não é um peixe-espada, também não é uma arraia. Você é um peixinho. Se servir de consolo, eu também sou.

Diariamente nossa espécie é engolida por baleias. O sistema único de saúde nos massacra. A previdência social também. Você nada em conjunto, pensando que assim está protegido, mas lá vem a declaração anual de ajuste fiscal, feito uma baleia jubarte. As orcas assassinas atendem pela corrupção nas esferas governamentais – essas pegam até os peixes grandes.

Alguns peixinhos, mais espertos, migram para o mercado de capitais. Mal sabem eles que o mercado também é uma baleia. Nadando em cardumes de sardinhas, elas compram nos momentos de euforia, se apavorando nos ciclos de baixa. E a baleia do mercado vem recolhendo todas as sardinhas que ficaram na reta.

Se existe um bicho que as baleias respeitam são os tubarões. A gente pode achar que os tubarões são uns malvados, mas eles são os reis da cadeia alimentar marítima. Sem eles, todo o ecossistema ficaria desequilibrado. As baleias não são bobas de provocarem os tubarões.

No mercado de capitais, os tubarões são as grandes empresas. Dizem que o capitalismo é selvagem por causa delas. Mas sem elas, o sistema financeiro desabaria. Até as baleias morreriam se não fossem os tubarões para colocar ordem no fundo do mar.

E agora eu lhe trago a boa notícia. Você, mesmo sendo um peixe pequeno - como eu - pode fazer uma parceria com os tubarões. Basta que você atue como um bodião-limpador. Os bodiões que gostam de uma limpeza não ultrapassam 10 centímetros de comprimento, mas os tubarões adoram ter eles por perto.

Os bodiões limpam as barbatanas dos tubarões, deixando-os mais ágeis. Estes peixinhos passeiam por suas mandíbulas e se alimentam dos restos de comida, que os tubarões não conseguem engolir. Os bodiões das bolsas de valores são os acionistas minoritários, que se alimentam dos dividendos oriundos dos lucros obtidos pelos tubarões.

Você pode pensar: “que coisa mais humilhante, viver dos restos que os outros caçam”. Porém, se você pudesse indagar um bodião sobre isso, ele responderia:

- Eu nado com os tubarões: as baleias passam longe de mim. 

Isto está longe de ser humilhante. Na verdade este é um comportamento muito inteligente.

Se, por um lado, é preciso ter humildade para reconhecer que somos pequenos, ainda assim podemos nos proteger neste mundo cujas regras nós não criamos. Ainda podemos escolher entre agir como sardinha ou bodião.

As empresas auferem lucros. Isto é absolutamente legítimo. Parte desses lucros cabe ao pequeno acionista, que ajuda a manter a empresa em ordem. Se não fosse assim, ela não abriria seu capital e espantaria os bodiões. Logo ficaria repleta de parasitas que se alimentam de seus lucros não digeridos, perderia força, e seria presa fácil para as baleias.

Existe uma classe de executivos que é contra a distribuição de dividendos. Eles preferem bonificações gordas que prejudicam a gestão do negócio. Os tubarões mais espertos não entregam suas barbatanas para gente assim.

O que mais gosto na Suno Research, é que ela me ensina a nadar com os tubarões. Confesso que já tive bronca deles, mas aprendi que são eles que podem nos proteger.

* Publicado originalmente no grupo da Suno Research no Facebook em 24 de novembro de 2017. Jean Tosetto é coautor do Guia Suno Dividendos, livro escrito em parceria com Tiago Reis e lançado em 08 de dezembro de 2017.


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