terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Poupar, restaurar, guardar

Publicado originalmente no Facebook em 03 de janeiro de 2013.

Nestes dias que cercaram o Natal e o Ano Novo tirei o pé do acelerador e reservei um tempo para colocar algumas coisas em ordem. Precisava arrumar a casa para o ano que se inicia. Separei roupas para dar embora e rasguei papéis velhos.

Saí para procurar um móvel bacana para guardar livros e discos e descobri duas coisas: 1) não vendem mais móveis para livros e discos; 2) estão fazendo móveis de papelão revestido com folhas imitando madeira e cobrando o preço de um móvel de madeira de verdade.

Diante disso fui no quartinho da bagunça e resgatei um velho hack de TV com mais de 15 anos, mas feito de madeira das boas. O móvel estava pintado de bege para combinar com meu antigo escritório.

Em vez de investir cerca de mil reais num móvel novo, gastei dois reais com meia dúzia de lixas. Estou me dedicando ao restauro da peça cerca de uma hora por dia, mas o trabalho vai estourar minha previsão de ficar pronto até o fim de semana.

Esse negócio de lixar madeira com as mãos cansa e faz a gente suar, mas dá um prazer gostoso de curtir. Coloco um som do Radiohead balanceado com Oasis e vou lixando. A calopsita canta para mim na garagem - ela também gosta de rock inglês.

Enquanto os dedos esquentam vem um cheiro de madeira direto nas narinas, misturado com o pó da tinta. A gente tosse de vez em quando e os braços vão ficando tingidos também.

Não vejo a hora de chegar na fase do verniz, para depois colocar meus discos de vinil dos Beatles nele. Em cima vai o aparelho de som 3 em 1 e as fitas cassetes do Supertramp vão ficar nas gavetinhas laterais. Se sobrar espaço vou colocar os CDs do Bob Dylan entre os vinis. Os livros vão ficar em outro móvel.

Acho que os economistas vão reclamar comigo: eles queriam um Pibão para este ano, mas já deixei de girar 998 reais na praça, restaurando meu hack velho.

O PIB que se vire. Eu quero mais é curtir meus discos.
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2 comentários:

  1. Joao Alberto03/01/2017 21:58

    Que dureza! Sei o que eh passar por isso, morando fora do Brasil. Necessity is the mother of solutions. Crisis is an opportunity, ja dizia o Tio Patinhas para Donald, Huguinho, Zezinho e Luisinho. Bom divertimento e satisfacao com o restauro.

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    1. Grato, João Alberto. Temos que dar valor para aquilo que já temos. Sucesso!

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