sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Luiz Barsi Filho: "as ações garantem o futuro"

Jean Tosetto e Luiz Barsi Filho na sede da Elite Corretora em São Paulo. (foto: Tiago Reis)
Jean Tosetto e Luiz Barsi Filho na sede da Elite Corretora em São Paulo.

Em países como Estados Unidos e Suíça, a cultura de adquirir ações das empresas com capital aberto em bolsa de valores é amplamente difundida e muitas famílias se financiam através desta modalidade de investimento. No Brasil, no entanto, a mentalidade é diametralmente oposta e apenas 0,3% dos brasileiros economicamente ativos optam por operar neste mercado.

Para romper com esta tradição negativa, a Suno Research se apresenta como uma fonte confiável de informações sobre investimentos por ter um diferencial: ser também uma fonte primária de conhecimento, através de sua rede de contatos com grandes players da cena brasileira, entre eles, Luiz Barsi Filho, um investidor com cinco décadas de experiência.

Desde o segundo semestre de 2016 a Suno Research, que tem entre seus baluartes o jovem investidor Tiago Reis, publica um relatório semanal com as palavras de Luiz Barsi Filho, que se define como um "investidor parceiro": ele nunca se torna o dono do negócio, mas estabelece parcerias com as empresas através dos aportes em ações, que auxiliam na capitalização das mesmas.

Para tanto, Barsi se apoia na análise fundamentalista da empresa que elegeu para estudar. Entre outros fatores ele verifica a relação entre o preço da ação dividido pelo lucro por ação, que deve ser a menor possível, ao passo que o retorno sobre o patrimônio líquido deve ser o maior possível. O crescimento da empresa nos últimos cinco anos também é avaliado, bem como a dívida bruta total dividida pelo patrimônio líquido. A capacidade dos gestores e o histórico de boas notícias da empresa são aspectos altamente considerados, além do nicho de atuação da mesma.

Acima de tudo, Luiz Barsi Filho aguarda as oportunidades de comprar papéis que pagam bons dividendos, quando estes estão cotados abaixo do que realmente valem. Para tanto, ele mira no dividend yield e no histórico de pagamentos dos proventos. Essa é a principal fonte de renda de Barsi, que ao longo do tempo amealhou um patrimônio capaz de prover seus herdeiros por várias gerações. Quanto mais atrativo é o dividend yield de uma empresa, aliado à constância em favorecer os acionistas, tanto melhor para o investidor parceiro.

Por isso Barsi refuta a análise gráfica e puramente técnica do mercado. Ele abomina também o caráter especulativo da compra e venda frenética de ações - o chamado day trade. Numa comparação com a vida pessoal, o sujeito que troca de namorada a cada dois meses nunca formará uma família, assim como o investidor que troca de ações a cada dois dias nunca formará um patrimônio.

Tomei conhecimento dos relatórios do Barsi para a Suno Research depois que me decepcionei com a consultoria de uma empresa muito conhecida na praça, que não ensina o investidor a "pescar", mas apenas lhe diz em que barranco se posicionar. "Atire seu anzol ali" - é o mantra deles. "Nunca compre uma dica" - é uma das lições de Barsi. Ao ler tal frase, decidi que seguiria com a análise fundamentalista para investir nas ações de forma consciente, abandonando os conselhos erráticos de outrora.

Paralelamente, adquiri o livro de Robert G. Hagstrom, "O jeito Warren Buffett de investir: os segredos do maior investidor do mundo". Buffett é, nos Estados Unidos, o que Barsi representa no Brasil, em termos proporcionais. Razão pela qual deixei o seguinte comentário na página da Suno Research no Facebook, quando ela questionou seus leitores a respeito do conteúdo dos relatórios com as palavras de Barsi:

"Quando eu era garoto, meus heróis eram Homem Aranha e Batman. Depois descobri o rock e passei a admirar Paul McCartney e Bob Dylan. Agora que descobri a necessidade de me precaver para o futuro, meus heróis são Warren Buffett e Luiz Barsi, depois que li seus relatórios entregues pela Suno Research. Vocês estão de parabéns!"

A ótima acolhida de minha comparação por parte dos demais leitores motivou o contato direto da Suno Research comigo. Entusiasmado, escrevi o artigo "Pule o muro da educação financeira" - uma metáfora de caráter educativo que igualmente foi bem recebida, rendendo um convite para conhecer o Luiz Barsi Filho pessoalmente em São Paulo. Uma oportunidade que obviamente não desperdicei.

O encontro, promovido por Tiago Reis, ocorreu no dia 26 de janeiro de 2017, na sede da Elite Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários em São Paulo, e contou também com a presença de Floriano Paes, estudante de Engenharia que veio do Rio de Janeiro especialmente para o evento, e Otto Guarnieri, empresário à frente da +Mu - uma startup que atua no seguimento de alimentação complementar baseada em concentrados de proteínas oriundas do leite.

A conversa durou quase três horas e tivemos a liberdade de fazer perguntas para o Barsi, que a despeito de seu portentoso patrimônio, nos tratou com a cordialidade típica das pessoas não afeitas à ostentação. Pelo contrário, aos 78 anos de idade, um dos maiores investidores parceiros do Brasil segue a sua rotina de dar expediente na corretora, usando um óculos com armação envolta de fita adesiva transparente.

Esta espécie de entrevista coletiva foi gravada pelo Tiago Reis, que a converterá em alguns relatórios para as próximas semanas, compondo a base para o livro que está escrevendo a respeito da trajetória de Luiz Barsi Filho, a ser lançado pela Suno Research em breve.

Por falar em livro, tive felicidade de agradecer pelos ensinamentos de Barsi, lhe oferecendo um exemplar da minha primeira publicação: "MP Lafer: a recriação de um ícone". Sobre a Lafer, o Barsi confidenciou que visitou as instalações da fábrica, que ficava na Via Anchieta na década de 1970, quando a empresa abriu o seu capital na bolsa de valores de São Paulo. Ele se impressionou com a criatividade da Lafer, ao ver um painel composto por sobras de madeiras da fabricação de móveis, denominado "Wood Stick" - um projeto pioneiro na questão de reciclagem de materiais, décadas antes do conceito entrar em voga.

É digno de menção o conhecimento explanado por Barsi a respeito de cada empresa que ele já estudou: seus processos de produção, a logística de distribuição, a relação com os consumidores e inúmeros outros fatores. Sua memória para nomes de pessoas e lugares visitados é notável e manter-se ativo numa idade onde muitos já estão aposentados explica, em parte, esta capacidade invulgar. Por isso, não considero o Barsi como um herói feito o Superman, mas uma referência inspiradora. Afinal de contas, não nascemos em Kripton, mas podemos aprender a investir com Luiz Barsi Filho.

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4 comentários:

  1. Eu vi a foto publicada no seu Facebook e entendi que era uma coisa importante. Estava mesmo aguardando sua explicação. Que coisa bacana! Que oportunidade interessante que você não desperdiçou. Tenho certeza de que ainda teremos muita informação construída daí.

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    1. Caro Ênio, tive a feliz decisão de começar este blog em 2016, com abertura para tratar de vários temas além da Arquitetura. Não sou egoísta com conhecimento: sou da linha "dividir para multiplicar" e certamente voltarei ao assunto da Educação Financeira em outras oportunidades. Grato.

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  2. Parabéns Jean e muito obrigado por compartilhar esta experiência única e imperdível de conversar pessoalmente com Luiz Barsi Filho. Assim como você e muitas outras pessoas, eu o tenho como uma inspiração.
    Esta troca de ideias entre pessoas com o mesmo interesse em investimentos vale muito!

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    1. Prezada Honda, o Sr. Barsi foi tão atencioso com a gente, que o mínimo que eu poderia fazer era compartilhar parte de tamanha consideração. Acompanhe os próximos relatórios da Suno Research, que o Tiago Reis vai elaborar a partir deste encontro. Saudações cordiais!

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