quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Guia Suno Dividendos é apresentado no programa Fundamente-se do InfoMoney

Jean Tosetto e Tiago Reis: os autores do livro "Guia Suno Dividendos".
Jean Tosetto e Tiago Reis: os autores do livro "Guia Suno Dividendos".

Escrever um livro é como tocar uma obra debaixo do sol: é trabalhoso e exige muita dedicação. Mas quando o projeto é concluído o sentimento que fica é muito bom, especialmente quando resultado de meses de empenho envolve uma equipe.

No caso dos livros, porém, deixá-los prontos para a publicação é apenas parte do trabalho. Sem os esforços para divulgação, os livros não chegam até os olhos dos leitores. Mas quando você escreve um livro em parceria com Tiago Reis, fundador da Suno Research, esse trabalho fica mais fácil e prazeroso.

O livro "Guia Suno Research" foi apresentado ao público no dia 08 de dezembro de 2017 através das redes sociais. A obra foi lançada inicialmente como e-book. Porém, atendendo a vários pedidos, uma versão impressa já está a caminho.

No dia 13 do mesmo mês estivemos juntos no programa "Fundamente-se" que o Tiago apresenta para o portal de notícias "InfoMoney", especializado no mercado financeiro. A íntegra da entrevista pode ser assistida no canal da Suno Research no YouTube, ou logo abaixo.



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sábado, 25 de novembro de 2017

Entre Morungaba e Tuiuti

Capela entre Morungaba e Tuiuti.
Capela entre Morungaba e Tuiuti.

Você já ouviu falar de Morungaba? A cidadezinha faz divisa com Campinas, mas não há uma estrada asfaltada ligando os municípios. O campineiro precisa pagar pedágio em Itatiba para chegar até lá, ou se aventurar nas estradas de terra que passam pelo Pico das Cabras.

Num desses domingos preguiçosos resolvi dar uma chance para Morungaba. Fui lá ver o que a cidade tem de bom, pois ouvi dizer que tem um lindo parque ecológico lá, chamado "Pedro Mineiro".

O caminho para chegar lá é tão belo quanto perigoso. A pista simples passa por um taquaral numa curva onde os motoqueiros gostam de deitar os casacos de couro, torcendo os cabos. Cruzes no acostamento não assustam eles.

Para nossa decepção o parque estava fechado, por tempo indeterminado. A gente tentou dar uma forcinha para Morungaba, mas fica para uma próxima vez.

- Vamos dar um giro pelo centro - Disse para minha esposa. Mas tudo estava fechado, como antigamente era o costume em nossa cidade.

Então percebi um vislumbre de estrada vicinal. É por ali que seguimos, para navegar sobre rodas em terras nunca antes exploradas. No meio do nada encontramos a capelinha onde a fé se manifesta com mais intensidade do que nas grandes catedrais esquecidas nas metrópoles.

A ponte sobre o Rio Jaguari indicava a divisa com Tuiuti - outra cidadezinha que só alguns paulistas conhecem. Lembrei que dali sobe uma estrada pela serrinha até Amparo, onde tem um polo astronômico.

"Beleza: o domingo está salvo" - pensei.

Então começou a chover.

Liguei o limpador do para-brisa e vi pelo retrovisor que minha garotinha caiu no sono. A borracha das palhetas se arrastando pelo vidro, num ritmo lento e constante, ganhou eco na cabine do carro, pois o rádio estava desligado.

Tão perto e tão longe de casa - dado que nas chuvas torrenciais a gente anda mais devagar - só queria estar de volta para o sofá, de onde não deveria ter saído naquele domingo preguiçoso.

Então, os fachos de farol alto dos veículos em sentido contrário me lembravam de manter as mãos firmes no volante, embora minha vida estivesse passando em revisão na minha mente.

No fim das contas, o passeio sem destino certo teve sua serventia.

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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Cinco anos escrevendo livros

Jean Tosetto com dois de seus livros publicados, no protótipo da poltrona que está desenvolvendo em parceria com Doni Grandini.
Jean Tosetto com dois de seus livros publicados, no protótipo da poltrona que está desenvolvendo em parceria com Doni Grandini.

Em novembro de 2012 o furgão de uma transportadora chegava ao meu escritório com a primeira carga de exemplares do livro "MP Lafer: a recriação de um ícone". Lá se vão cinco anos - meia década - desde que resolvi contrariar o senso comum, que rezava que eu teria que ser apenas arquiteto, para me tornar também um escritor.

Tive a ajuda de muitas pessoas para vencer este desafio, pois é preciso muita força de vontade para romper com a inércia, sem a qual os sonhos não se convertem em objetivos, e os objetivos não se convertem em realidade. Mas se tiver que mencionar apenas uma pessoa, esta seria Percival Lafer.

Meu primeiro livro foi vendido para o Brasil inteiro e exportado para mais de dez países. Em agosto de 2017 a Lafer levou um lote de exemplares para a Alemanha, para presentear os entusiastas da marca reunidos num evento histórico.

Mais difícil do que escrever o primeiro livro, é escrever o segundo. É o segundo livro que diz que você será um escritor de fato, e não apenas alguém que mergulhou num capricho ocasional. Desta vez meu grande guia foi o professor Ênio Padilha, co-autor de "ARQUITETO 1.0 - Um manual para o profissional recém-formado".

Lançado em dezembro de 2015, recentemente tivemos a satisfação de saber que o corpo docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do CEUB - Centro Universitário de Brasília - recomendou a aquisição de 14 exemplares do nosso manual para a biblioteca da instituição. Não foi apenas um exemplar para constar, mas 14 - um indicativo de que os alunos receberão orientação expressa para ler o livro.

Depois disso recebi convites para ser colaborador oculto em dois projetos editoriais. O colaborador oculto é uma espécie de escritor fantasma (o termo em inglês é mais chique: ghost-writer). Obviamente não posso revelar do que se trata. Faz parte do contrato não reivindicar a co-autoria em trabalhos como estes.

No entanto, fui agraciado pelo convívio com pessoas muito competentes em suas áreas, mas com falta de tempo ou aptidão para organizar suas ideias em palavras. Mais importante do que os valores recebidos nestes casos, foi ser tratado como um profissional.

Finalmente, em 2017, fui chamado pelo Tiago Reis para escrever artigos sobre educação financeira para a Suno Research, casa independente de pesquisas em investimentos na Bolsa de Valores de São Paulo.

Da relação com um time de especialistas em análises de valores mobiliários, veio a confiança para ingressar em um novo projeto editorial, desta vez para um e-book. Estou trabalhando nele há alguns meses para que o mesmo seja lançado antes do Natal. Por enquanto isso é tudo que posso afirmar.

A gente se desdobra para seguir a carreira de arquiteto em paralelo com a nova carreira de escritor. Vendo as coisas em retrospectiva - é para isso que servem as datas redondas - notei que venho desenvolvendo projetos editoriais na média de um lançamento por ano, em temas diversos.

Estou feliz por não ter tempo para comemorar e ainda por manter o desejo de continuar escrevendo livros. Feliz, também, por ter ignorado o senso comum, que coloca as pessoas dentro de potes de conserva rotulados, com uma tampa bem rosqueada por cima - dessas que as pessoas precisam de muita força e jeito para abrir.

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terça-feira, 10 de outubro de 2017

A Fazenda Atalaia de Amparo

Sede da Fazenda Atalaia em Amparo, no interior de São Paulo.
Sede da Fazenda Atalaia em Amparo, no interior de São Paulo.

Sou uma pessoa inconstante quando o assunto é fazer exercícios físicos. Com certa frequência eu os faço, mas nunca numa rotina muito longa: vou alternando as temporadas. As vezes ando de bicicleta, as vezes vou até a academia, faço natação e por fim faço minhas caminhadas.

Numa delas, durante o entardecer, fui parado por uma Fiorino. O senhor de cabelos brancos e bigode ralo queria saber onde ficava o Hotel Vitória. Não estava longe para ir a pé, mas de carro era preciso contornar um bairro inteiro.

- Me dê uma carona e te levo até lá.

Era o que ele queria ouvir, pois estava perdido e notei que não conseguia assimilar minhas instruções.

- O que você precisa fazer no Hotel?

- Estou levando uma encomenda de queijos.

Ele era motorista da Fazenda Atalaia, de Amparo. Foi a primeira vez que ouvi falar dela.

Dias depois, estou zapeando a TV no domingo de manhã e, numa reportagem do Globo Rural, vejo o arquiteto Marcos Tognon falando da técnica de taipa e pilão que estava sendo usada para restaurar as instalações da Fazenda Atalaia.

Mundo pequeno: conheci ele numa viagem para a Itália em 1998 - faz tempo.

Fiquei com esse lugar na cabeça. "Taí, num domingo qualquer vou conhecer a Fazenda Atalaia" - pensei.

Esse domingo chegou. Saímos de Paulínia, paramos para almoçar em Holambra e cortamos caminho por Santo Antônio de Posse para chegar em Amparo no começo da tarde. A Fazenda Atalaia fica na estrada para Itapira.

Na minha cabeça era um lugar imponente, repleto de árvores frondosas. Mas fora o cheiro de estrume do gado, que já era esperado, me deparei com um espaço ainda decadente, que a TV tinha pintado com cores mais promissoras. Tem muita coisa para ser reformada na Fazenda, mas o laticínio já estava funcionando.

Fomos bem recebidos pelas funcionárias do local. Havia queijos, bolos e doces para vender - por preços salgados. Uma lasca de queijo premiado custava R$ 46,00. Preferi levar um pote de doce de leite e um bolo de maçã por R$ 50,00. Pedi CPF na nota fiscal, mas elas simplesmente não trabalham com nota.

Estacionei meu carro perto daquela Fiorino, na qual havia pego uma carona. Porém, o tiozinho não estava lá.

- Dentro de uma hora faremos um tour histórico com um guia pela Fazenda - disse a vendedora.

- Não podemos esperar. Estamos de passagem - respondi

Calculei que nesse tempo estaria de volta em Paulínia, para comer aquele bolo de maçã na casa de meus pais. Já estava contando com o café na mesa da cozinha.

E o bolo estava muito bom. Por causa dele voltaremos um dia para buscar mais coisas da autêntica roça paulista.

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sábado, 30 de setembro de 2017

Entre subestimados e blefadores

As vezes o sucesso e o fracasso se parecem com resultados de uma rodada de dados num cassino.
As vezes o sucesso e o fracasso se parecem com resultados de uma rodada de dados num cassino.

Viagens possuem o dom de nos alimentar por tempo indeterminado com lembranças que parecem desconexas, mas que subitamente afloram fazendo sentido.

Lembro de, há vinte anos, estar caminhando por uma praça de Montevidéu, a capital do Uruguai, nas imediações do Mercado do Porto. Havia um jovem tocando violão com uma gaita afixada sobre o peito, feito um Bob Dylan latino-americano. Sua voz, porém, tinha o timbre ácido de Liam Gallagher, ex-vocalista do Oasis. Ele estava cantando uma canção de John Lennon, "Jealous Guy".

O rapaz era muito bom, muito maior do que a caneca de alumínio diante de seus pés, onde minhas moedas repicaram, me rendendo um "gracias" do artista. Sim, um artista perdido nas latitudes austrais do continente. "Como pode um cara como ele permanecer no ostracismo?" - Foi a pergunta que me fiz na época.

As estações de rádio, infelizmente, estão longe de valorizar os verdadeiros artistas atualmente. Dentre as poucas que tocam "flashbacks", nos deparamos com uma profusão de músicas sem qualidade. Há alguns dias estava passeando pelo "dial" quando o meu humor azedou de vez, ao ouvir um cara fanho e resfriado, que acordou de ressaca para gravar a faixa da extrema-unção da música popular brasileira.

"Isso não é música" - pensei. "Estão desonrando a tradição de Tonico e Tinoco dizendo que isso é de estilo caipira" - caipira não, é sertanejo universitário.

Comparando o uruguaio com o brasileiro, fico a indagar como o destino é irônico com as pessoas. Parece haver uma aleatoriedade cruel que impede que gente talentosa encontre seu espaço e permite que pessoas medíocres alcancem resultados acima de sua real capacidade.

Então me ocorreu que pode não ser uma aleatoriedade sem lógica, como a roleta de uma casa de apostas. É fato que podemos interferir no curso dos acontecimentos. O que me faz crer que o sujeito que fez "cover" de Lennon seja alguém subestimado, ao passo que o neo-caipira do século 21 seja o perfeito blefador patrocinado por alguém.

Blefadores fazem sucesso pois, numa sociedade onde impera a mediocridade, é reconfortante saber que um medíocre se deu bem. Isso passa a sensação de que pode acontecer com qualquer um, independente do esforço empregado.

Nas artes plásticas isso é ainda mais gritante. Um dos traços da sociedade medíocre em que vivemos é que a arte é altamente relativizada. Tudo pode ser arte. Só depende de quem vê.

Então as galerias apresentam telas que parecem ter sido pintadas por adolescentes fazendo um curso de férias. Instalações juntam cacarecos que, para faxineiras desavisadas, seriam entulhos de reformas esquecidos no museu.

O medíocre vê um quadro com borras de tinta cuspidas em papelão ondulado e vai para casa pensando que também poderia ser um artista. Porém, ao caminhar por uma feira livre onde artistas de verdade estão expondo seus trabalhos, passa reto em direção à barraca do pastel.

Onde os medíocres são maioria, os poucos que se sobressaem são ignorados - deixados de lado mesmo. As vezes, quem ousa pensar com a própria cabeça é chutado para escanteio, estando condenado à solidão se não encontrar outras pessoas com as mesmas angústias.

Assumindo o risco de pensar por conta própria, devo concordar que não deve haver censura para as artes. As pessoas devem ter liberdade para criar e expor seus trabalhos.

No entanto, se não deve haver limites para a produção e divulgação da arte, também não deve haver limites para a crítica da arte. As pessoas tem o direito de observar um quadro e dizer que ele não serviria nem para forrar gaiolas de passarinhos.

Alguém precisa dizer que blefadores não são artistas. Alguém precisa reconhecer o valor dos artistas subestimados.

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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Ora bolas de gude

Ora bolas de gude - por Jean Tosetto

Em 1985 vivíamos em outro mundo, sem Internet e sem "Diretas Já". Eu tinha apenas 9 anos de idade e fazia coisas impensáveis hoje: ia para a escola estadual. A pé.

Olhava para o meu relógio Champion - que trocava pulseiras de plástico coloridas - e contava os minutos para a hora do recreio. Após o sinal, saía em disparada da sala de aula para a fila da merenda. Era imprescindível pegar um bom lugar para não perder muito tempo.

A gente engolia a comida rapidamente para poder brincar no grande pátio gramado. Cada dia da semana tinha um sabor: polenta com carne moída, arroz doce, canja de galinha, sopa de caldo de feijão com macarrão e cachorro quente.

Enquanto alguns repetiam a pratada - eram pratos de plástico azuis, com colheres de plástico azuis - minha turma ia jogar bolinhas de gude.

Um dia bolei uma estratégia diferente para me colocar em primeiro lugar na fila da merenda: pedi para ir no banheiro pouco antes do sinal tocar. Além de ser o primeiro no balcão, ainda contei para o pessoal de trás que tinha visto a "loira do banheiro", com seus pedaços de algodão pendurados nas narinas.

- Você não ficou com medo? - Disse a garotinha.

- Claro que não. Eu sou muito macho! - Tanto que nem desconfiava que ela gostava de mim. Quando fui atrás dela, na sétima série, já era tarde.

Mas estou aqui por causa das bolinhas de gude. Era meu jogo predileto. Carregava as bolinhas no bolso.

Sob a copa de uma árvore a grama era rarefeita e ali fazíamos as biroscas. Eram cinco buracos cavados na terra, ao todo, como dispostos nos jogos de dados. O objetivo era percorrer primeiro as cinco biroscas, indo e voltando, para ganhar poderes de tirar os adversários da disputa, acertando as bolinhas deles.

As apostas dentro da escola eram proibidas, mas no campinho de baixo, quem perdia as partidas ficava sem as bolinhas também.

Na primeira rodada, cada participante jogava sua bolinha mais perto possível da primeira birosca. A partir da segunda rodada, a ordem de jogar era definida por quem estava mais próximo da primeira birosca. Quem acertava as biroscas seguia jogando. Quem errava passava a vez.

Este é um jogo onde quem está perdendo se alia para prejudicar os líderes, acertando as bolinhas para afastá-las da próxima birosca.

Birosca. Anos depois frequentei muitas, onde se comia cachorro quente antes de voltar para casa nas madrugadas de sábado para o domingo. Depois da balada, a frase corrente era:

- Vamos comer um podrão na birosca?

No jogo de bolinhas de gude, você pode usar a palma da mão para desenhar um arco na terra e posicionar melhor sua bolinha para atingir um alvo: uma birosca ou a bolinha de um oponente.

E o sinal tocava de novo. Voltávamos para a sala de aula suados, com as mãos encardidas e as revanches marcadas para o fim da tarde, lá fora, no campinho de baixo.

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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A imaginação é inoxidável

Seria um Chevy Sedan 1957?
Seria um Chevy Sedan 1957?

Fiquei sabendo que meu avô, Anibal Tosetto, aprendeu técnicas de carpintaria com engenheiros ingleses que trabalhavam na mina de carvão de Caçapava, abandonada há décadas.

Resolvi investigar.

Recentemente estive na cidade para uma comemoração em família e arrastei um primo pela zona rural, por estradas vicinais que se estreitavam e conduziam para o passado, até uma cancela que nos impediu de progredir.

A mina de carvão de Caçapava agora é uma fazenda de reflorestamento, pertencente a uma empresa do setor de celulose.

Mas a expedição não foi perdida. Na volta havia uma bifurcação que contornava um sítio repleto de carros antigos, alguns abandonados no relento.

Além da cerca de arame farpado, avistei este sedan que me parece um Chevrolet do fim dos anos de 1950. O veículo está irrecuperável.

Quando vejo um automóvel neste estado, fico me perguntando como ele chegou neste ponto. Quem o dirigiu por último? Quem namorou no banco de trás dele? Quantos donos ele teve? Quantas viagens ele fez?

Perguntas que ficarão sem respostas, mas que na imaginação de alguns viram histórias que não enferrujam.

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